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Relatório Oficial Anual da ONU · Edição 2026

Relatório dos ODS 2026 da ONU

Tradução para o português brasileiro do The Sustainable Development Goals Report 2026, o relatório oficial anual das Nações Unidas sobre o progresso global rumo aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, organizado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (UN DESA), com prefácio do Secretário-Geral António Guterres.

Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (UN DESA) · 2026

ODS 1 ODS 2 ODS 3 ODS 4 ODS 5 ODS 6 ODS 7 ODS 8 ODS 9 ODS 10 ODS 11 ODS 12 ODS 13 ODS 14 ODS 15 ODS 16 ODS 17 ODS 18

Tradução para o português brasileiro por SELO ODS BRASIL — o maior programa de certificação em ODS do Brasil · seloodsbrasil.com.br

Ficha Técnica

The Sustainable Development Goals Report 2026
Publicado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (UN DESA), Nova York, 2026.

Editora responsável: Daisy Carrington
Citação sugerida: United Nations Department of Economic and Social Affairs (2026). The Sustainable Development Goals Report 2026. New York.

ISBN impresso: 978-92-1-158750-0 · ISBN PDF: 978-92-1-154735-1 · ISBN EPUB: 978-92-1-158754-8 · ISSN: 2518-3915 · e-ISSN: 251-3958 · Sales No. E.26.I.2

Copyright © 2026 Nações Unidas. Todos os direitos reservados em todo o mundo. Pedidos de reprodução de trechos ou fotocópia devem ser endereçados ao Copyright Clearance Center (www.copyright.com). Demais consultas sobre direitos e licenças devem ser endereçadas a: United Nations Publications, 405 East 42nd Street, New York, NY, 10017, EUA — publications@un.org — www.un.org/publications.

Em resposta à resolução 70/1 da Assembleia Geral (parágrafo 83), que solicita ao Secretário-Geral a preparação de relatórios anuais de progresso sobre os ODS, este relatório foi elaborado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais (DESA), com contribuições de organizações e órgãos internacionais e regionais, agências especializadas, fundos e programas do sistema das Nações Unidas, além de estatísticos nacionais e especialistas da sociedade civil e da academia.

Organizações contribuintes: BirdLife International · Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais (DESA) · Divisão de Assuntos Oceânicos e do Direito do Mar · Comissão Econômica e Social para a Ásia e o Pacífico (ESCAP) · Comissão Econômica e Social para a Ásia Ocidental (ESCWA) · Comissão Econômica para a África (ECA) · Comissão Econômica para a Europa (ECE) · Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) · Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) · Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) · Agência Internacional de Energia (IEA) · Fórum Internacional sobre Apoio Oficial Total ao Desenvolvimento Sustentável (IFT) · Organização Internacional do Trabalho (OIT) · Fundo Monetário Internacional (FMI) · Organização Internacional para as Migrações (OIM) · Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA) · União Internacional de Telecomunicações (UIT) · Centro de Comércio Internacional (ITC) · União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) · União Interparlamentar (UIP) · Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) · Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) · Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) · Open Data Watch · Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) · PARIS21 · Save the Children · Secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica · Secretariado da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima · Sustainable Energy for All · Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Capital · Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) · Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) · Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) · Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) · Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres) · Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) · Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) · Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) · Instituto das Nações Unidas para Formação e Pesquisa (UNITAR) · Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNDRR) · Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) · Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) · ONU-Energia · ONU-Oceano · ONU Turismo · ONU-Água · Grupo Banco Mundial · Organização Mundial da Saúde (OMS) · Organização Meteorológica Mundial (OMM) · Organização Mundial do Comércio (OMC).

Nota do tradutor: esta é uma tradução não oficial, produzida para fins educativos pelo SELO ODS BRASIL. O conteúdo original em inglês, incluindo todos os dados, tabelas e créditos fotográficos, é de autoria e propriedade das Nações Unidas (© 2026 United Nations). Em caso de divergência, prevalece o texto original em inglês, disponível em unstats.un.org/sdgs/report/2026/.

Sumário

Prefácio

Pouco mais de uma década atrás, o mundo embarcou em um esforço ousado para cumprir a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, nosso plano de ação compartilhado para as pessoas, o planeta e a prosperidade.

Com menos de cinco anos para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), este relatório oferece uma medida clara e realista do nosso progresso coletivo — e do trabalho urgente que ainda temos pela frente.

Os avanços obtidos são reais e abrangem todos os Objetivos. A proteção social hoje alcança muito mais pessoas. A mortalidade materna e infantil continua caindo, o progresso contra doenças tropicais negligenciadas se acelerou e práticas nocivas como o casamento infantil estão diminuindo mais rapidamente. O acesso à água potável segura, ao saneamento e à eletricidade se expandiu em grande escala. A energia renovável está crescendo, a mortalidade por desastres está em queda e a conectividade digital já alcança a maior parte do mundo.

Por trás desses resultados está um fator habilitador importante: os dados. Hoje medimos mais e melhor, com muito mais precisão do que nunca. À medida que avançamos para a reta final rumo a 2030, essa base de evidências mais sólida pode ajudar os países a direcionar melhor seus esforços de desenvolvimento.

Essas não são pequenas conquistas. Elas são prova de que o progresso é possível quando vontade política, investimento, inovação e cooperação internacional se unem.

Mas o relatório também mostra que o progresso permanece desigual e insuficiente diante de ventos contrários sérios — do colapso na assistência ao desenvolvimento ao aumento dos fardos de dívida nos países em desenvolvimento, ao crescimento dos conflitos, à desaceleração do crescimento econômico global, ao caos climático e a outros choques. E a guerra no Oriente Médio interrompeu o tráfego marítimo, sufocando corredores de energia, fertilizantes e alimentos e elevando a inflação.

Essas pressões atingem mais duramente os países vulneráveis, ampliando a distância para alcançar os ODS e ameaçando desfazer décadas de progresso duramente conquistado.

Como demonstra este relatório, apenas 36% das 139 metas dos ODS passíveis de avaliação estão no caminho certo ou fazendo progresso moderado, e 15% retrocederam.

O relatório clama por ação decisiva para corrigir essa trajetória:

Ao honrar o compromisso de Sevilha de fechar a lacuna anual de financiamento dos ODS de US$ 4 trilhões por meio de financiamento ampliado para os países em desenvolvimento, do fortalecimento da mobilização de recursos domésticos, da triplicação da capacidade de empréstimo dos bancos multilaterais de desenvolvimento e do desenvolvimento de novas ferramentas para gerenciar efetivamente a dívida soberana.

Ao reformar a arquitetura financeira internacional para apoiar melhor — e representar melhor — os países em desenvolvimento.

Ao aproveitar tecnologias de fronteira, incluindo a inteligência artificial, para impulsionar o desenvolvimento — especialmente entre aqueles com maior probabilidade de ficar para trás à medida que a tecnologia avança.

Ao acelerar a transição para a energia renovável para criar empregos decentes e oportunidades econômicas, ao mesmo tempo em que salvaguardamos o futuro do nosso planeta.

Ao continuar trabalhando pela igualdade de gênero e pelo empoderamento de mulheres e meninas — um motor crítico de progresso em todos os Objetivos.

E ao colocar a paz em primeiro lugar, contendo os gastos militares fora de controle e investindo nos instrumentos da paz e do desenvolvimento.

Guiados pelos dados apresentados neste relatório, nossa visão da Agenda 2030 permanece ao nosso alcance.

Juntos, façamos um esforço final decisivo para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e construir um futuro saudável e próspero para todos.

António Guterres
Secretário-Geral das Nações Unidas

Introdução

Com apenas quatro anos até a data-alvo dos ODS, a distância entre ambição e realização nunca foi tão evidente — ou tão consequente. Este relatório avalia com franqueza nosso progresso e o caminho que ainda temos de percorrer. A promessa central da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável — não deixar ninguém para trás — permanece ao nosso alcance, mas somente se agirmos de forma decisiva e imediata.

Progresso através de uma era de crises

A última década prova que a ação global com propósito transforma vidas em grande escala. Desde 2015, centenas de milhões de pessoas ganharam acesso à água potável segura e ao saneamento. A eletricidade hoje chega a 92% da população mundial, com um terço proveniente de fontes renováveis. O acesso à internet saltou de 40% para 74%, conectando bilhões de pessoas a novas oportunidades educacionais e econômicas.

Os resultados em saúde também melhoraram: as novas infecções por HIV e as mortes relacionadas à aids caíram, cada uma, cerca de um terço; 59 países eliminaram pelo menos uma doença tropical negligenciada; e 134 países atingiram a meta de redução da mortalidade infantil. Pela primeira vez na história, a proteção social hoje cobre mais da metade da população mundial, e as mortes relacionadas a desastres caíram 65% em comparação com a década anterior.

Além das estatísticas, há famílias escapando da pobreza, crianças frequentando escolas e comunidades construindo resiliência. Essas conquistas reafirmam a premissa central da Agenda 2030: o progresso é possível quando boas políticas encontram vontade política e investimento adequado.

Uma conquista menos conhecida merece menção: nossa capacidade de acompanhar esse progresso se transformou. Uma década atrás, faltavam dados para metade dos indicadores dos ODS; hoje, uma base de dados global com 3 milhões de pontos de dados cobre praticamente todos os indicadores, permitindo-nos enxergar com clareza, mirar com precisão e nos responsabilizar.

O trabalho que ainda resta

Apesar desses ganhos, o quadro mais amplo é preocupante. Das 139 metas para as quais podemos calcular tendências históricas confiáveis, apenas 36% estão no caminho certo ou em progresso moderado. Quase metade (49%) avança devagar demais, e 15% caíram abaixo de suas linhas de base de 2015.

O mundo está longe de erradicar seus desafios mais urgentes. Uma em cada dez pessoas ainda vive em extrema pobreza. A insegurança alimentar permanece bem acima dos níveis de 2015, afetando 2,3 bilhões de pessoas. Cerca de 2,1 bilhões de pessoas (aproximadamente uma em cada quatro) não têm acesso a serviços de água potável gerenciados com segurança. Mais de 150 milhões de crianças sofrem de atraso no crescimento (stunting). A mortalidade materna permanece quase três vezes acima da meta global, e a discriminação cotidiana — ainda sentida por uma em cada cinco pessoas no mundo — continua limitando o potencial humano.

Essas lacunas são agravadas por crises planetárias e humanas que se entrelaçam. Em 2025, as temperaturas globais atingiram 1,43°C acima dos níveis pré-industriais, e o dióxido de carbono (CO2) atmosférico atingiu sua maior concentração em 2 milhões de anos. A violência dos conflitos atingiu os níveis mais altos em décadas, revertendo anos de desenvolvimento em meros meses e deslocando forçadamente 118 milhões de pessoas.

Enquanto isso, a assistência oficial ao desenvolvimento (AOD) despencou 23% em 2025, um recorde, corroendo as bases financeiras das quais dependem os países mais pobres. Enquanto a lacuna anual de financiamento dos ODS nos países em desenvolvimento gira em torno de US$ 4 trilhões, os gastos militares globais atingem níveis recordes. Como essas crises estão interligadas, exigem soluções integradas.

O caminho a seguir

O caminho adiante não é obscuro nem inatingível. Os ODS continuam sendo nosso plano mais eficaz para a paz, a prosperidade e a sustentabilidade. Precisamos urgentemente recolocá-los no centro da tomada de decisões globais.

Fechar a lacuna de financiamento é fundamental. Isso requer reformar a arquitetura financeira internacional, promulgar um alívio significativo da dívida e ampliar o acesso a financiamento acessível. Precisamos implementar rapidamente o Compromisso de Sevilha para financiamento e o Marco de Medellín para sistemas de dados, garantindo que o apoio chegue primeiro às comunidades mais vulneráveis.

Além disso, como nenhuma nação sozinha pode resolver as mudanças climáticas, prevenir pandemias ou desmantelar a desigualdade, precisamos defender o multilateralismo e recusar deixar que tensões geopolíticas descarrilem a cooperação.

Uma visão compartilhada para os quatro anos finais

A Agenda 2030 reconhece que o desenvolvimento sustentável é um empreendimento compartilhado, não um jogo de soma zero. Marcos recentes, da proteção legal do alto-mar ao aumento da capacidade instalada de geração de eletricidade renovável nos países em desenvolvimento, provam que a ação ambiciosa e coordenada ainda produz resultados.

Os próximos quatro anos testarão nosso ímpeto. As escolhas que fizermos agora em relação a financiamento, cooperação global e gestão coletiva de crises ecoarão por gerações. Devemos uma mudança real àqueles que o mundo frequentemente ignorou: a primeira menina de sua família a terminar a escola, a família que escapa definitivamente da pobreza e a comunidade construída para resistir à próxima tempestade.

As evidências deste relatório provam que os objetivos que estabelecemos em 2015 nunca estiveram além do nosso alcance. Precisamos agora reunir a determinação para terminar o que começamos.

Li Junhua
Secretário-Geral Adjunto para Assuntos Econômicos e Sociais

Monitoramento dos ODS na Era da IA: renovando as estatísticas oficiais em prol das pessoas, da confiança e da soberania

Os últimos dez anos demonstraram o papel crítico que as estatísticas oficiais desempenham no enfrentamento dos maiores desafios do mundo. Da orientação de respostas a surtos de doenças e do monitoramento dos impactos climáticos à mensuração da redução da pobreza e ao fortalecimento da governança transparente, dados de qualidade e sistemas estatísticos têm sido infraestrutura essencial em uma década de mudanças sem precedentes. O monitoramento dos ODS foi central para esse esforço: por meio de uma linguagem global compartilhada para o desenvolvimento, expandiu a disponibilidade de dados, fortaleceu os sistemas estatísticos nacionais, expôs desigualdades e construiu confiança pública.

À medida que o mundo enfrenta crises interconectadas — das mudanças climáticas aos conflitos —, a demanda por dados oportunos e desagregados nunca foi tão grande. No entanto, precisamente no momento em que é mais necessário, o apoio financeiro aos sistemas estatísticos nacionais está encolhendo. Ao mesmo tempo, a inteligência artificial (IA) está transformando rapidamente a forma como a informação é gerada, acessada, analisada e consumida — muitas vezes por sistemas construídos e controlados longe das comunidades e países que os dados deveriam servir.

I. Uma década de monitoramento dos ODS: evidências mais fortes, promessas não cumpridas

Dez anos de monitoramento geraram uma base de evidências sem precedentes para acompanhar o desenvolvimento sustentável. O panorama revelado, no entanto, é preocupante. Das 139 metas com dados de tendência suficientes, apenas 15% estão no caminho certo, e 21% mostram progresso moderado. Quase metade avança apenas marginalmente ou não avança, e 15% caíram abaixo de sua linha de base de 2015.

Avaliação geral do progresso nas 139 metas com dados de tendência, 2025 ou dado mais recente
CategoriaPercentual
No caminho certo ou meta cumprida15%
Progresso moderado21%
Progresso marginal32%
Estagnação17%
Regressão15%

O monitoramento dos ODS representa um dos avanços mais significativos da comunidade estatística global. O número de indicadores na base de dados dos ODS passou de 115 em 2016 para 233 em 2026, com os registros de dados subindo de cerca de 330 mil para 3,2 milhões. Quando o marco dos ODS foi estabelecido pela primeira vez, quase 40% dos indicadores careciam de metodologias internacionalmente acordadas; hoje, todos os indicadores possuem uma metodologia estatística acordada.

Talvez o legado mais duradouro dos ODS não seja o próprio marco de indicadores, mas o fortalecimento dos sistemas estatísticos nacionais. Como resultado, a proporção de indicadores com boa cobertura de países mais que dobrou, passando de cerca de um terço para quase 70%. Ao mesmo tempo, monitorar 17 Objetivos, 169 metas e mais de 230 indicadores impôs demandas sem precedentes aos sistemas estatísticos nacionais e internacionais.

Lacunas persistentes de dados oferecem outra lição importante. O progresso na mensuração da igualdade de gênero, das cidades sustentáveis, da ação climática e da paz e justiça tem sido muito mais lento, já que menos de um terço dos indicadores dos ODS possuem dados de tendência suficientes.

II. Expansão histórica da infraestrutura de dados: conquistas e lições

A proporção de países ou áreas com dados de tendência (pelo menos dois pontos de dados desde 2015) aumentou de forma expressiva entre as bases de dados de 2019 e 2026 em todos os 17 Objetivos, refletindo o investimento contínuo em capacidade estatística nacional, ainda que de forma desigual entre os Objetivos.

III. Choques de financiamento e disrupção da IA: um cenário em mudança para as estatísticas oficiais

Financiamento: uma base sob pressão. O monitoramento sustentável dos ODS depende de investimento de longo prazo, mas o financiamento não tem acompanhado o ritmo. Em 2025, a AOD caiu 23,1% em relação a 2024 — a maior queda anual já registrada — devolvendo a AOD a níveis vistos no início da Agenda 2030. Cortes adicionais são esperados para 2026. Pesquisas com escritórios estatísticos nacionais de países de renda baixa e média mostram que as reduções de financiamento já estão afetando programas estatísticos centrais, incluindo o monitoramento dos ODS, pesquisas domiciliares, sistemas de dados administrativos e plataformas de disseminação.

IA: oportunidade, responsabilidade e risco. A IA tem potencial para apoiar quase todas as etapas do processo estatístico — do desenho de questionários à automação de verificações de qualidade. Uma meta-análise recente de cerca de 1.800 artigos confirmou que a IA já está sendo aplicada em todo o ciclo de vida das pesquisas. Mas a IA também introduz novos riscos: grandes modelos de linguagem respondem a consultas relacionadas a dados frequentemente se baseando em informações desatualizadas ou não verificadas, em vez de estatísticas oficiais, preenchendo lacunas por extrapolação, interpolação ou geração sintética — produzindo números que podem parecer autoritativos, mas mascaram incertezas significativas.

IV. Revigorando as estatísticas oficiais

Pessoas: permanecendo no centro da missão. As estatísticas oficiais devem servir às pessoas, não às tecnologias. Muitos grupos populacionais ainda estão sub-representados ou ausentes dos sistemas oficiais de dados: apenas 29% dos países respondentes relataram programas estatísticos para pessoas internamente deslocadas, em comparação com mais de 70% para pessoas com deficiência e jovens.

Confiança: sustentando a confiança pública. Os indicadores de desempenho estatístico (SPI) subiram de 59 para 70 entre 2016 e 2023, mas países de renda baixa e média-baixa ficam muito atrás dos países de renda alta. Uma revisão de 2023 constatou que 93% das 167 leis estatísticas nacionais incluíam uma cláusula de confidencialidade — um compromisso legal construído em uma era em que as técnicas de anonimização eram robustas; hoje, a IA tornou possível reidentificar indivíduos mesmo a partir de estatísticas agregadas.

Indicadores de desempenho estatístico (SPI), por grupo de renda, 2016 e 2023
Grupo20162023
Mundo5970
Renda altamais alto
Renda baixa / média-baixamuito abaixo da média mundial

Soberania: capacitando os países a moldar seu futuro de dados. A soberania estatística tem três dimensões que se reforçam mutuamente: controle sobre prioridades estatísticas e dados; financiamento nacional sustentável; e instituições fortes e independentes capazes de coordenar o ecossistema de dados e governar o uso da IA. Uma análise de 2023 constatou que apenas cerca de um terço dos países de renda baixa e média-baixa administram seus próprios repositórios de microdados. Em 2025, 135 países tinham planos estatísticos nacionais em implementação, mas apenas 59% estavam totalmente financiados — na África Subsaariana, apenas 15%. Na pesquisa de 2021 sobre o Plano de Ação Global da Cidade do Cabo, apenas 17% dos países respondentes relataram estar satisfeitos com sua capacidade de coordenar todo o ecossistema de dados (apenas 8% entre países de renda baixa e média-baixa).

V. O caminho a seguir: ancorando as estatísticas oficiais em pessoas, confiança e soberania

A primeira década de monitoramento dos ODS construiu um bem público compartilhado que pertence a todas as nações. A próxima fase deve garantir que essa base permaneça sustentável e governada no interesse público, por meio de uma visão renovada para as estatísticas oficiais na era da IA: centrada nas pessoas, confiável e soberana. Isso exige investir em sistemas de dados que reflitam a diversidade populacional; submeter a adoção da IA aos padrões de transparência e responsabilização que as estatísticas oficiais há muito defendem; e garantir aos institutos nacionais de estatística voz institucional na governança do ecossistema de dados mais amplo, com financiamento doméstico sustentado.

Nada disso se afasta dos princípios fundamentais das estatísticas oficiais — imparcialidade, transparência, independência profissional, responsabilização metodológica e acesso público. O que é necessário não é um novo marco normativo, mas a capacidade, o financiamento e a vontade política para aplicar o que já existe.

ODS 1
ODS 1

Erradicação da Pobreza

Destaques

  • O progresso rumo à erradicação da pobreza extrema estagnou. A taxa global de pobreza extrema está em 10% em 2026, apenas três pontos percentuais abaixo da média de 2015. Na trajetória atual, cerca de 9% da população mundial ainda viverá em pobreza extrema em 2030, quatro em cada cinco deles na África Subsaariana ou em países frágeis e afetados por conflitos.
  • A cobertura da proteção social atingiu um marco importante, mas permanece profundamente desigual. Pela primeira vez, mais da metade da população mundial foi coberta por pelo menos um benefício de proteção social em 2023. Ainda assim, 3,8 bilhões de pessoas permanecem desprotegidas, com cobertura variando de 79,6% para idosos a apenas 16,7% para desempregados.
  • A ajuda ao desenvolvimento voltada à redução da pobreza caiu acentuadamente, apagando uma década de progresso. As doações de AOD voltadas à redução da pobreza caíram 8,7% entre 2023 e 2024, retornando aos níveis de 2015.
  • Avançar rumo ao fim da pobreza exigirá investimento direcionado às pessoas em pobreza persistente, ampliação de oportunidades econômicas inclusivas, fortalecimento da proteção social e enfrentamento das forças que empurram pessoas à pobreza — desigualdade, choques climáticos, conflitos e custo de vida crescente.

Uma em cada dez pessoas ainda vive em extrema pobreza, e 2030 dificilmente será diferente

Em 2026, estima-se que 10% da população mundial — cerca de 826 milhões de pessoas — ainda vivam em extrema pobreza, sobrevivendo com menos de US$ 3,00 por dia em paridade de poder de compra (PPC) de 2021. Desde 2015, essa proporção caiu apenas três pontos percentuais.

A marca duradoura da pandemia de COVID-19 é hoje inconfundível. As regiões mais pobres foram as mais atingidas e as que se recuperaram mais lentamente: a África Subsaariana viu a pobreza extrema aumentar dois pontos percentuais durante a pandemia e só retornou aos níveis pré-pandemia em 2025. A Oceania (excluindo Austrália e Nova Zelândia) seguiu a mesma trajetória.

O panorama global oferece pouco alívio. Mesmo deixando de lado o impacto da recente crise no Oriente Médio, cerca de 9% da população mundial deve permanecer em pobreza extrema em 2030 — com 71% dos pobres extremos do mundo concentrados na África Subsaariana.

Os gastos públicos com saúde e educação seguem distantes dos 20% mais pobres

O “gasto social público pró-pobre” mede a parcela dos gastos governamentais em educação, saúde e transferências diretas que beneficia diretamente os 20% mais pobres. Em dados comparáveis de 132 países, a parcela que chega aos 20% mais pobres varia de 10% a 39%, com média de 26%. As transferências diretas em dinheiro são as mais eficazes (média de 32%, chegando a 93% nos melhores casos); os gastos com educação alcançam em média 21%; e os gastos com saúde mostram a maior variação entre países (9% a 59%), com média de apenas 18%.

A proteção social atinge um marco histórico, mas a cobertura permanece desigual entre grupos

Pela primeira vez, mais da metade da população mundial — 52,4% — foi coberta por pelo menos um benefício de proteção social em 2023, ante 42,8% em 2015. Apesar disso, cerca de 3,8 bilhões de pessoas permaneceram sem qualquer forma de proteção social.

Proporção de grupos populacionais cobertos por proteção social, 2015 e 2023 (%)
Grupo20152023
Cobertos por ao menos um benefício42,852,4
Idosos (pensões)74,179,6
Assistência social a vulneráveis26,737,3
Trabalhadores (proteção contra acidentes)32,837,4
Pessoas com deficiência grave32,838,9
Mães com recém-nascidos29,636,4
Crianças (benefício familiar)22,128,2
Desempregados15,416,7

Ajuda para redução da pobreza recua aos níveis de 2015, com saúde sofrendo o maior golpe

Entre 2023 e 2024, as doações de AOD voltadas à redução da pobreza caíram 8,7%, para US$ 19,1 bilhões — retornando aos níveis de 2015. A queda foi impulsionada por uma redução de US$ 1,5 bilhão na ajuda básica à saúde. As doações também caíram para assistência alimentar (11%, para US$ 1,0 bilhão), educação (9%, para US$ 3,1 bilhões) e outras infraestruturas sociais (9%, para US$ 900 milhões). Somente as doações para água e saneamento cresceram, 7%, para US$ 3,4 bilhões. O total de AOD para redução da pobreza representou apenas 0,02% da renda nacional bruta (RNB) dos países doadores em 2024.

A pobreza no trabalho caiu, mas o progresso é desigual entre regiões e gerações

Em 2025, 284 milhões de trabalhadores — 7,9% da população empregada — viviam em pobreza extrema no mundo, ante 11% em 2015. Na África Subsaariana e nos países menos desenvolvidos (PMDs), a pobreza no trabalho ficou em torno de 40%. Nos países em desenvolvimento sem litoral e na Oceania (exceto Austrália e Nova Zelândia), quase um em cada três trabalhadores vivia em pobreza extrema. A Ásia Central e Meridional teve a maior melhora, com queda de 15,9% (2015) para 5,2% (2025). Jovens de 15 a 24 anos têm mais que o dobro da probabilidade de estarem em pobreza no trabalho em relação aos adultos.

ODS 2
ODS 2

Fome Zero

Destaques

  • Choques globais estão dificultando o progresso rumo à fome zero. A fome e a insegurança alimentar diminuíram desde 2021, mas permanecem acima dos níveis de 2015, com a crise no Oriente Médio representando riscos sérios para a segurança alimentar global.
  • A nutrição infantil está melhorando, mas o progresso é lento em algumas regiões. O número de crianças menores de 5 anos com atraso no crescimento e emaciação caiu 30,2 milhões e 8,1 milhões, respectivamente, entre 2012 e 2024.
  • O progresso rumo à agricultura produtiva e sustentável permanece moderado: pontuação de tendência de 4,0 de 5 (2015–2024), mas status atual de apenas 3,3, insuficiente para cumprir a meta de 2030.
  • Acelerar o progresso exige investir em sistemas alimentares resilientes e inteligentes em relação ao clima, combinando proteção social e nutrição com medidas de produtividade para pequenos agricultores.

Conflitos, mudanças climáticas e instabilidade econômica dificultam o fim da fome

A fome global mostrou uma modesta queda em 2024, mas milhões de pessoas ainda enfrentam dificuldades para se alimentar. Estima-se que 673 milhões de pessoas — 8,2% da população mundial — sofreram fome crônica, abaixo dos 8,5% de 2023, mas ainda acima do nível de 2015 (7,7%). Além disso, em 2024, 2,3 bilhões de pessoas — 28% da humanidade — enfrentaram insegurança alimentar moderada ou grave, 683 milhões a mais do que em 2015.

A crise no Oriente Médio é um choque sistêmico grave para o sistema agroalimentar global, com potenciais consequências severas de médio a longo prazo. Interrupções no Estreito de Ormuz já afetaram a movimentação de insumos-chave para a produção de alimentos — incluindo fertilizantes, enxofre, gás natural e combustíveis — elevando custos de produção e transporte.

Progresso lento na redução de atraso no crescimento e emaciação em algumas regiões, apesar dos ganhos globais

Globalmente, o atraso no crescimento (stunting) em crianças menores de 5 anos caiu de 26,4% para 23,2% entre 2012 e 2024, reduzindo em 30,2 milhões o número de crianças afetadas. No mesmo período, a emaciação (wasting) caiu de 7,4% para 6,6%, afetando 8,1 milhões de crianças a menos. A Ásia Meridional foi a principal responsável pelo progresso global, respondendo por mais de 68% da redução mundial de crianças com atraso no crescimento. Em contraste, o progresso nutricional na África Subsaariana foi prejudicado por um crescimento de 20,3% (31,4 milhões de crianças) na população menor de 5 anos da região entre 2012 e 2024.

A diversidade alimentar permanece inadequada para crianças e mulheres, com disparidades regionais persistentes

Entre 2018 e 2024, apenas 30,8% das crianças de 6 a 23 meses consumiram uma dieta com diversidade mínima, variando de 55,7% no Leste e Sudeste Asiático a apenas 18,5% na África Subsaariana. Entre mulheres em idade reprodutiva (15–49 anos), 62,7% alcançaram diversidade dietética mínima entre 2020 e 2024, variando de 83,7% no Leste e Sudeste Asiático a 36,4% na África Subsaariana.

O progresso rumo à agricultura produtiva e sustentável permanece moderado

Em 2024, a pontuação de status ficou em 3,3 de 5, enquanto a pontuação de tendência alcançou 4,0 de 5 no período 2015–2024 — indicando movimento, mas não no ritmo suficiente para atingir a meta até 2030. Indicadores de eficiência ambiental e gestão de recursos estavam mais próximos dos níveis desejados, enquanto indicadores de produtividade agrícola e condições de emprego continuaram atrás.

Gastos públicos com agricultura em nível recorde, apesar da queda como proporção dos orçamentos

Os gastos públicos globais com agricultura atingiram um recorde de US$ 725 bilhões em 2024, um crescimento médio anual de 2% desde 2015. No entanto, a agricultura representou apenas 1,83% dos gastos governamentais em 2024, ante 2,09% em 2015. A ajuda à agricultura para países em desenvolvimento chegou a US$ 18,7 bilhões em 2024 — um aumento de 42% desde 2015 —, impulsionada em grande parte pelo apoio à África, que recebeu US$ 8,7 bilhões (quase o dobro do nível de 2015 em termos reais).

Proporção de países com preços de alimentos moderada a anormalmente altos caiu acentuadamente em 2024

A proporção de países afetados por preços altos de alimentos caiu de 51,2% em 2023 para 15,3% em 2024 — ligeiramente abaixo da média de 2015–2019. A melhora não foi universal: entre os países menos desenvolvidos (PMDs), a proporção caiu apenas marginalmente, de 31,7% para 31,6% em 2024, permanecendo bem acima da média de 2015–2019 (18%).

ODS 3
ODS 3

Saúde e Bem-Estar

Destaques

  • Grandes avanços na saúde materna, infantil e reprodutiva estão salvando milhões de vidas, mas as metas seguem fora de alcance para muitos. A mortalidade materna ainda é quase três vezes a meta dos ODS.
  • Esforços contra doenças transmissíveis e outros riscos à saúde estão gerando resultados: infecções por HIV e mortes por aids caíram mais de 30% desde 2015; mortes por tuberculose estão em queda; e 780 milhões de pessoas a menos necessitam de tratamento para doenças tropicais negligenciadas.
  • Cortes de financiamento colocam décadas de progresso em saúde global em risco. A AOD caiu aos níveis de 2015, com nova queda projetada para 2025.
  • Manter as metas globais de saúde no rumo certo exige atenção primária mais forte, prevenção e imunização ampliadas, e financiamento internacional direcionado aos países mais atrasados.

Saúde materna melhora, mas mulheres em contextos mais frágeis continuam para trás

A razão de mortalidade materna global caiu de 328 óbitos por 100 mil nascidos vivos em 2000 para 228 em 2015 e 197 em 2023. A proporção de partos assistidos por profissional de saúde qualificado subiu de 80% para 87% entre 2015 e 2025. Ainda assim, a mortalidade materna permanece mais que 2,5 vezes acima da meta dos ODS de 70 por 100 mil nascidos vivos. Em 2023, cerca de 260 mil mulheres morreram por causas relacionadas à gravidez — o equivalente a uma morte a cada dois minutos. A África Subsaariana e o Sul da Ásia reduziram suas razões de mortalidade materna em 25% e 30%, respectivamente, desde 2015, mas juntas ainda responderam por 87% das mortes maternas globais em 2023. Países de renda baixa registraram 346 mortes maternas por 100 mil nascidos vivos, contra apenas 10 em países de renda alta.

Uso de contraceptivos cresce e taxa de natalidade adolescente cai, mas o progresso é desigual

Em 2026, 77,2% das mulheres em idade reprodutiva que desejavam evitar a gravidez usavam métodos contraceptivos modernos, ante 76,4% em 2015 — mais de 886 milhões de mulheres ou seus parceiros usam um método moderno. A taxa de natalidade entre adolescentes caiu de 45,9 para 37,6 nascimentos por mil adolescentes de 15 a 19 anos entre 2015 e 2025.

Mais crianças sobrevivem além dos cinco anos, apesar de desafios contínuos

Em 2024, a taxa global de mortalidade de menores de 5 anos caiu para 37,4 óbitos por mil nascidos vivos — uma queda de 51% desde 2000 e 13% desde 2015. A mortalidade neonatal caiu para 17,2 por mil, uma redução de 43% desde 2000. Como resultado, 134 países já haviam atingido a meta dos ODS para mortalidade de menores de 5 anos até 2024, com mais 6 no caminho para cumpri-la até 2030. Ainda assim, 4,9 milhões de crianças morreram antes do quinto aniversário em 2024, quase metade em contextos frágeis e afetados por conflito.

Ganhos globais contra o HIV estão em risco por causa de cortes de financiamento

Desde 2015, as novas infecções por HIV caíram 30% e as mortes por aids caíram 35% até 2024. Ainda assim, em 2024, 1,3 milhão de novas infecções foram registradas — quase inalterado em relação ao ano anterior — enquanto mais de 9 milhões de pessoas vivendo com HIV não estavam em tratamento. Cortes na assistência internacional já afetam programas de prevenção, incluindo redução no uso de profilaxia pré-exposição (PrEP) em países como Uganda e Vietnã, e quedas acentuadas na distribuição de preservativos na Nigéria.

Casos de tuberculose voltam a cair, mas cortes de financiamento ameaçam as metas de 2030

Em 2024, estima-se que 10,7 milhões de pessoas adoeceram de tuberculose, das quais 8,3 milhões foram diagnosticadas. Pela primeira vez desde 2020, os casos de tuberculose caíram, e as mortes recuaram de 1,27 milhão (2023) para 1,23 milhão (2024). Ainda assim, a incidência caiu apenas 12% desde 2015 — muito aquém da meta da OMS de 50% até 2025 e 80% até 2030.

Prevalência de hepatite B infantil cai globalmente, com a África ainda muito atrás

Em 2024, a prevalência global de infecção crônica pelo vírus da hepatite B (HBV) em crianças menores de 5 anos caiu para 0,6%, ante 0,8% em 2015 — ainda distante da meta dos ODS de 0,1% ou menos. Ao nível de país, 85 países já atingiram a meta. A África registra a maior prevalência, em 1,4%.

Malária eliminada em 47 países, mas incidência crescente exige ação estratégica acelerada

Desde 2000, cerca de 2,3 bilhões de casos e 14 milhões de mortes por malária foram evitados no mundo. Quarenta e sete países e um território foram certificados livres de malária pela OMS. Ainda assim, a malária continua sendo um sério desafio de saúde pública, com uma estimativa de 282 milhões de casos em 2024 e taxa de incidência de 64 por 1.000, ante 59 em 2015. Em 2024, 75% das mortes ocorreram em crianças menores de 5 anos.

Reduções significativas em doenças tropicais negligenciadas destacam a importância da ação global coordenada

Até dezembro de 2025, 59 países, áreas e territórios haviam eliminado ao menos uma doença tropical negligenciada (DTN), rumo à meta global de 100 países até 2030. O número de pessoas que necessitam de intervenções para DTNs caiu de 2,19 bilhões (2010) para 1,41 bilhão (2024) — uma redução de 36%.

Preparação global para emergências de saúde melhora, com países mais pobres ainda atrasados

Em 2024, 195 dos 196 Estados Partes submeteram relatórios de autoavaliação do Regulamento Sanitário Internacional. As pontuações globais de capacidade de detectar, avaliar e responder a emergências de saúde pública se estabilizaram em torno de 64 nos últimos anos. As regiões desenvolvidas tiveram pontuação média de 77, contra 59 nas regiões em desenvolvimento e apenas 49 nos PMDs.

Progresso desigual na redução do consumo de álcool e tabaco

O consumo per capita de álcool entre adultos caiu 13% entre 2010 e 2024, de 5,6 para 4,9 litros anuais. O uso de tabaco entre adultos caiu de 26,2% (2010) para 19,5% (2024) — uma redução de 26% —, mas aumentou em 12 países entre 2015 e 2024.

Taxas globais de suicídio em queda mascaram grandes disparidades regionais e de gênero

A taxa bruta global de suicídio caiu 6% entre 2015 e 2021, de 9,8 para 9,2 óbitos por 100 mil habitantes — ainda assim, 727 mil vidas foram perdidas em 2021. Homens enfrentam risco consistentemente maior: 12,4 contra 5,9 óbitos por 100 mil entre mulheres.

Milhões de crianças ainda perdem vacinas de rotina

As vacinas evitaram cerca de 17 milhões de mortes entre 2021 e 2024. Ainda assim, 14,3 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma vacina, um aumento em relação aos 12,9 milhões de 2019. A cobertura de DTP3 (referência para sistemas de imunização) está em 85% em 2024, inalterada desde 2015. A vacinação contra HPV teve o crescimento mais rápido, mais que dobrando de 12% (2021) para 28% (2024).

Cobertura universal de saúde estagna, e os mais pobres pagam o preço

O índice de cobertura de serviços de saúde subiu apenas três pontos entre 2015 e 2023, de 68 para 71. Em 2023, 4,6 bilhões de pessoas no mundo careciam de acesso a serviços essenciais de saúde. Os gastos diretos do bolso empurraram 2,1 bilhões de pessoas para dificuldades financeiras em 2022.

Queda na ajuda à saúde ameaça o progresso global em saúde e preparação

A AOD líquida para pesquisa médica e saúde básica caiu 12,4% entre 2023 e 2024, para US$ 11,4 bilhões, retornando aos níveis de 2015, com nova queda de 14% a 29% projetada para 2025. Uma avaliação de março a abril de 2025 em 108 escritórios da OMS constatou que cerca de 70% relataram interrupções nos serviços de saúde após reduções na assistência externa.

ODS 4
ODS 4

Educação de Qualidade

Destaques

  • Mais crianças concluem a escola, mas o acesso e os resultados de aprendizagem ficam para trás. As taxas globais de conclusão aumentaram desde 2015, mas 273 milhões de crianças e jovens continuam fora da escola.
  • O avanço tecnológico ultrapassa as habilidades digitais necessárias para navegá-lo. O acesso à internet se expande rapidamente, mas muitas pessoas ainda carecem de competências essenciais como segurança on-line e criação de conteúdo digital.
  • A infraestrutura escolar melhora, mas disparidades por gênero, renda e localização permanecem amplas.
  • Garantir educação de qualidade para todos exigirá investimentos mais fortes em sistemas educacionais equitativos, resilientes e inclusivos.

Mais crianças e jovens concluem a escola, mas 273 milhões ainda não têm acesso à educação

Entre 2015 e 2024, as taxas de conclusão subiram em todos os níveis: de 85% para 88% no ensino primário, de 75% para 78% no ensino secundário inferior e de 53% para 61% no ensino secundário superior. Na África Subsaariana, apenas 68% concluem o ensino primário, 47% o secundário inferior e apenas 28% o secundário superior. A taxa global de crianças fora da escola caiu apenas marginalmente, de 17,4% (2015) para 16,8% (2024), deixando 273 milhões de crianças e jovens sem acesso à educação.

Resultados de aprendizagem são baixos e caíram até em países mais ricos

Já em 2019, antes da pandemia, apenas 58% das crianças alcançavam proficiência mínima em leitura ao final do ensino primário, e apenas 44% em matemática. Dados comparáveis de 57 países mostram que a proporção de estudantes com proficiência mínima em leitura caiu de 59% (2012) para 47% (2022), e em matemática, de 41% para 36%.

Crianças mais pobres ficam cada vez mais para trás em níveis educacionais mais altos

Quase 4 em cada 10 países ainda não alcançam paridade de gênero na conclusão do ensino primário, chegando a quase 5 em 6 países no ensino secundário superior. O índice de paridade entre os 20% mais pobres e os 20% mais ricos foi de 0,91 no ensino primário, caindo para 0,68 no secundário inferior e 0,34 no secundário superior — muito abaixo da faixa de paridade de 0,97–1,03.

Infraestrutura escolar melhora, mas uma em cada cinco escolas primárias ainda não tem eletricidade ou água limpa

Globalmente, mais de um quinto das escolas primárias ainda não tem acesso a eletricidade, água potável segura ou saneamento básico, enquanto menos da metade têm computadores, acesso à internet ou infraestrutura adaptada para pessoas com deficiência. Nos PMDs, entre 40% e 50% das escolas primárias carecem de saneamento básico, e mais da metade não tem eletricidade.

Acesso à internet continua superando o desenvolvimento de habilidades digitais

Em cerca de 50 economias de renda média-alta e alta, a mediana de uso da internet é de 92%, mas muitos usuários ainda carecem de habilidades para avaliar criticamente informações, proteger-se on-line e usar tecnologias digitais de forma produtiva: 84% relatam proficiência básica em comunicação e colaboração, 76% em literacia de dados, 72% em resolução de problemas, mas apenas 59% em criação de conteúdo digital e 57% em segurança on-line.

Um em cada cinco professores carece de qualificação mínima

Em 2024, cerca de um quinto dos professores no mundo ainda não atendia aos padrões mínimos de qualificação de seus países. A proporção de professores qualificados no ensino primário aumentou ligeiramente, de 80% (2015) para 82% (2024), enquanto no secundário houve leve queda. Na África Subsaariana, de 30% a 40% dos professores ainda carecem de qualificação mínima.

ODS 5
ODS 5

Igualdade de Gênero

Destaques

  • A liderança feminina avança, mas a paridade ainda está a décadas de distância. Mulheres ocupam 27,4% das cadeiras parlamentares, 35,6% de cargos em governos locais e 30,5% de cargos gerenciais no mundo.
  • Apesar do progresso em orçamentos sensíveis a gênero e reformas legais, barreiras sistêmicas persistem: apenas um em cada quatro países tem um sistema abrangente de orçamento sensível a gênero.
  • Violência e práticas nocivas continuam minando os direitos de milhões de mulheres e meninas: quase uma em cada três mulheres já sofreu violência ao longo da vida; quase uma em cada cinco meninas ainda se casa antes dos 18 anos; e 230 milhões de mulheres e meninas sofreram mutilação genital feminina (MGF).
  • Alcançar a igualdade de gênero requer investimento sustentado em saúde sexual e reprodutiva, remoção de leis discriminatórias, fim de práticas nocivas e transformação das normas sociais e instituições.

Orçamento sensível a gênero se expande, mas financiamento e implementação seguem inadequados

Em 2025, 123 países adotaram elementos de orçamento sensível a gênero, ante 69 em 2018. Mas apenas um em cada quatro desses países tinha sistemas abrangentes para rastrear e tornar públicas as alocações voltadas à igualdade de gênero — uma modesta melhora em relação aos 19% de 2018. Embora 91% dos países relatem ter políticas de igualdade de gênero, pouco mais da metade alocou orçamento suficiente para sua implementação.

Mulheres seguem sub-representadas na liderança, e o progresso desacelera

Em 1º de janeiro de 2026, a participação global de mulheres nas câmaras únicas ou baixas dos parlamentos nacionais chegou a 27,4%, alta de 5,1 pontos percentuais desde 2015, mas apenas 0,2 ponto desde 2025. Apenas sete países tinham 50% ou mais mulheres nos parlamentos nacionais, ante três em 2015. A representação em governos locais chegou a 35,6% em 2025. Países que usam cotas elegeram 15 pontos percentuais a mais de mulheres para parlamentos nacionais e 17 pontos a mais para governos locais do que países sem cotas. Mulheres ocuparam 30,5% dos cargos gerenciais no mundo em 2025, um aumento de apenas 3,6 pontos desde 2015 — nesse ritmo, levaria mais de 50 anos para atingir paridade em cargos de gestão.

Uma em cada três mulheres já sofreu violência, número praticamente inalterado em 20 anos

Segundo estimativas de 2023, quase uma em cada três mulheres no mundo (840 milhões) foi vítima de violência física e/ou sexual por parceiro íntimo e/ou violência sexual por não parceiro ao menos uma vez na vida — um número praticamente inalterado desde 2000. Cerca de 11% das mulheres com parceiro (316 milhões) sofreram violência física e/ou sexual por parceiro íntimo nos últimos 12 meses.

Casamento infantil está diminuindo, e em alguns países a mutilação genital feminina também

O ritmo de queda do casamento infantil entre 2015–2024 foi o dobro da década anterior. Ainda assim, hoje, quase uma em cada cinco mulheres jovens se casou antes dos 18 anos. A África Subsaariana e o Sul da Ásia registraram as maiores taxas de casamento infantil (31% e 25%, respectivamente). Ao menos 230 milhões de mulheres e meninas vivas hoje sofreram MGF, com cerca de 4 milhões de meninas submetidas à prática todos os anos — embora tenha havido declínio expressivo em países como Burkina Faso, Quênia e Serra Leoa.

Mais da metade das mulheres com parceiro ainda carece de plena autonomia sobre o próprio corpo

Em dados de 78 países, em 2025, 88,5% das mulheres casadas ou em união relataram poder decidir sobre o uso de contraceptivos, 75% sobre cuidados de saúde reprodutiva e 75,4% sobre a capacidade de recusar relações sexuais. Apenas 56,3% das mulheres relataram autonomia plena nas três áreas.

O panorama legal para as mulheres avança, mas lacunas preocupantes permanecem

Entre 2019 e 2025, 99 reformas fortalecendo a igualdade de gênero foram registradas no mundo. Ainda assim, de 131 países com dados, apenas 44% proíbem discriminação direta e indireta; apenas 38% têm leis de estupro baseadas em consentimento que criminalizam explicitamente o estupro conjugal; e apenas 23% fixam a idade mínima de casamento em 18 anos sem exceção. Em 68 de 78 países com dados, menos da metade das mulheres em domicílios agrícolas relata possuir ou deter direitos seguros sobre terras agrícolas.

ODS 6
ODS 6

Água Potável e Saneamento

Destaques

  • Bilhões ganharam acesso a água potável, saneamento e higiene, mas o progresso foi desigual. Até 2024, 74% da população mundial tinha água potável gerenciada com segurança, 58% saneamento seguro e 80% serviços básicos de higiene.
  • Apesar da melhora na eficiência do uso da água, o estresse hídrico continua severo em várias regiões: 10% da população mundial vive em países com estresse hídrico alto ou crítico.
  • O monitoramento da água está se expandindo, mas lacunas de dados persistem.
  • Tornar a água e o saneamento seguros e sustentáveis uma realidade para todos exigirá instituições mais fortes, investimento dedicado e maior participação comunitária.

Bilhões ganham acesso à água segura, saneamento e higiene, mas os países mais pobres ficam para trás

Entre 2015 e 2024, 961 milhões de pessoas ganharam acesso à água potável gerenciada com segurança, 1,2 bilhão ao saneamento seguro e 1,6 bilhão a serviços básicos de higiene. Até 2024, a cobertura global era de 74% para água potável (ante 68%), 58% para saneamento (ante 48%) e 80% para higiene (ante 66%). Nos PMDs, as pessoas têm de duas a três vezes mais chance de não ter esses serviços em comparação com a média global.

Eficiência global no uso da água aumenta, impulsionada pelo crescimento econômico

Globalmente, a eficiência no uso da água melhorou 24% entre 2015 e 2023 — de US$ 17,4 para US$ 21,5 por metro cúbico. O estresse hídrico global manteve-se praticamente estável, em 18% em 2023. No Norte da África, Ásia Ocidental e Ásia Central e Meridional, o estresse hídrico ultrapassa 75%, e cerca de 10% da população mundial vive em países com níveis de estresse alto ou crítico. A agricultura é a maior usuária de água doce (72% das retiradas) e o setor menos eficiente (US$ 0,7 por metro cúbico), mas registrou o maior ganho relativo de eficiência desde 2015 (39%).

Mais países medem a qualidade da água, mas lacunas de dados persistem em regiões mais pobres

O monitoramento de longo prazo melhorou, com 124 países reportando sobre qualidade da água em 2023, ante 72 em 2017. Cerca de metade dos corpos d'água monitorados apresentou boa qualidade ambiente.

Cooperação em bacias compartilhadas avança, mas mais acordos operacionais são necessários

Rios, lagos e aquíferos transfronteiriços são compartilhados por 153 Estados-membros da ONU. Em 2023, apenas 43 países tinham acordos operacionais cobrindo 90% ou mais da área de bacia transfronteiriça em seu território, e pelo menos 20 países não tinham nenhum acordo. Em 2023, 129 países participaram do último monitoramento sobre cooperação em águas transfronteiriças, ante 107 em 2017.

Quase metade dos países viu declínio no fluxo dos rios

Cerca de 46% dos países registraram redução nos fluxos mínimos dos rios, com mais de um quinto reportando reduções superiores a 10%. América Latina e Caribe e partes da Ásia Central e Meridional mostram os declínios mais generalizados.

A maioria dos países tem políticas de gestão sustentável da água, mas falta financiamento para implementá-las

Em 2023, a pontuação média global para gestão integrada de recursos hídricos subiu para 57 de 100, ante 49 em 2017. Ainda assim, de 183 países pesquisados, 73 permanecem significativamente atrasados na implementação. Cerca de 85% dos países relatam receita insuficiente para implementar seus planos de gestão da água.

ODS 7
ODS 7

Energia Acessível e Limpa

Destaques

  • Mais pessoas do que nunca têm acesso à eletricidade e à cocção limpa, mesmo com a África Subsaariana ficando para trás. Entre 2015 e 2024, o acesso global à eletricidade cresceu de 87% para 92%.
  • O uso de energia renovável se expande, com calor e transporte sendo a próxima fronteira. As renováveis atingiram 18% do uso global de energia em 2023.
  • Países em desenvolvimento superam nações mais ricas no crescimento da capacidade renovável: taxa de crescimento anual composta de 13% nos últimos cinco anos, contra 8% nos países desenvolvidos.
  • Investimento e ação política direcionados podem fechar as lacunas de energia remanescentes até 2030.

Acesso à eletricidade chega a 92% da população global, mas 655 milhões ainda ficam para trás

Em 2024, a taxa global de acesso permaneceu em 92%, deixando 655 milhões de pessoas sem eletricidade — apenas 11,5 milhões a menos que em 2023. Desde 2020, os ganhos médios anuais caíram para cerca de 0,35 pontos percentuais, metade do ritmo alcançado entre 2010 e 2020. A África Subsaariana responde por 86% das pessoas sem eletricidade no mundo.

Acesso à cocção limpa continua crescendo, mas o progresso regional é desigual

O acesso a combustíveis e tecnologias de cocção limpa chegou a 75% globalmente em 2024, alta de 11 pontos percentuais. Um bilhão de pessoas a menos dependiam de combustíveis poluentes para cozinhar em 2024, em comparação com 2010. Na África Subsaariana, apenas 22% da população tinha acesso a cocção limpa em 2024.

Renováveis se expandem em todos os setores, com a eletricidade renovável liderando o crescimento

A proporção de energia renovável no consumo final global de energia subiu de 15,6% (2015) para 18,0% (2023). As renováveis forneceram mais de 30% do consumo global de eletricidade em 2023, ante 23% em 2015. O aquecimento renovável chegou a 21,4%, enquanto o transporte ficou atrás, em 4,3%.

Países em desenvolvimento agora lideram o crescimento da capacidade renovável, mas as disparidades persistem

A capacidade instalada de geração renovável atingiu um recorde global em 2024, chegando a 544 watts por pessoa. Países em desenvolvimento registraram taxa composta de crescimento anual de 13% nos últimos cinco anos, contra 8% em países desenvolvidos. Em 2024, países de renda alta e média-alta atingiram 1.224 e 808 watts por pessoa, respectivamente, contra apenas 117 watts em países de renda média-baixa e 34 watts em países de renda baixa.

Progresso na intensidade energética modera-se, e é preciso acelerar a ação

A intensidade energética primária melhorou 1,5% em 2023, levando a intensidade energética global a 3,76 megajoules por dólar (PPC de 2021). Nenhuma região atingiu a taxa de melhoria de 2,6% estabelecida pela meta dos ODS para eficiência energética entre 2010 e 2023, embora 6 dos 20 maiores países consumidores de energia tenham atingido a meta.

Financiamento para energia renovável permanece inadequado, com apoio a países vulneráveis em declínio

Fluxos financeiros internacionais para países em desenvolvimento em apoio à energia limpa e renovável chegaram a US$ 24,6 bilhões em 2024, alta marginal em relação aos US$ 24,4 bilhões de 2023. PMDs e Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEIDs) — os mais vulneráveis à pobreza energética — viram os fluxos financeiros caírem 11% e 5%, respectivamente, em 2024.

ODS 8
ODS 8

Trabalho Decente e Crescimento Econômico

Destaques

  • Tensões geopolíticas se somam a uma economia global já lenta. O crescimento econômico permanece abaixo dos níveis pré-pandemia.
  • O desemprego está historicamente baixo, mas o trabalho seguro segue fora de alcance para muitos. A taxa global de desemprego permaneceu em 4,9% em 2025, enquanto o emprego informal segue amplamente disseminado.
  • Apesar da redução do trabalho infantil, os trabalhadores continuam enfrentando deterioração na proteção de seus direitos fundamentais. O trabalho infantil global caiu mais de 20 milhões desde 2020, mas 138 milhões de crianças ainda são afetadas.
  • Criar oportunidades de emprego justo e seguro dependerá do fechamento das lacunas de inclusão digital e financeira, investimento em produtividade e tecnologia, maior formalização do emprego e aplicação mais firme dos direitos trabalhistas.

Crescimento global moderado, com PMDs distantes das metas de 2030

O crescimento econômico global permanece moderado desde 2015. Após contrair 3,9% em 2020, o PIB per capita real global se recuperou 5,5% em 2021, mas desacelerou para 2,0% em 2023 e 1,9% em 2024, projetado para estabilizar em torno de 1,9% até 2027. O crescimento anual do PIB dos PMDs caiu de 7,1% (2005–2009) para 4,7% (2015–2024), com projeção de 4,4% até 2027 — ainda muito aquém da meta de 7% da Agenda 2030.

Crescimento da produtividade do trabalho se estabiliza, mas permanece abaixo das tendências pré-pandemia

A produção global por trabalhador cresceu de 0,7% (2023) para 1,7% (2025), ainda abaixo dos níveis pré-pandemia de 1,8% (2015–2019). O crescimento foi mais forte na Ásia Central e Meridional e no Leste e Sudeste Asiático (acima de 3,5% em 2025); na África Subsaariana e na América Latina e Caribe, o crescimento permanece abaixo de 1%.

A mudança digital amplia o acesso financeiro, mas lacunas de inclusão persistem

Entre 2015 e 2024, a posse de conta bancária ou de dinheiro móvel subiu para 79% dos adultos no mundo em 2025, ante 74% em 2021. A poupança formal aumentou ainda mais rapidamente, de 24% (2021) para 40% (2024).

Taxas recordes de baixo desemprego escondem um déficit mais profundo de trabalho decente

O desemprego global ficou em 4,9% em 2025, inalterado em relação a 2024. Nos PMDs, países em desenvolvimento sem litoral e na África Subsaariana, as taxas de desemprego em 2025 foram mais altas do que em 2015. O desemprego juvenil chegou a 12,4% em 2025, quase quatro vezes a taxa adulta. O emprego informal respondeu por 57,9% do emprego global em 2025 — quase inalterado desde 2015 —, chegando a quase 9 em cada 10 trabalhadores nos PMDs e na África Subsaariana.

Erosão dos direitos trabalhistas e trabalho infantil seguem como grandes desafios globais

A pontuação global de liberdade de associação e negociação coletiva (escala de 0, maior conformidade, a 10, menor conformidade) ficou em 4,83 em 2024, uma deterioração de 6,4% desde 2015. Desde 2020, mais de 20 milhões de crianças a menos estão em trabalho infantil, revertendo um aumento preocupante entre 2016 e 2020. Ainda assim, quase 138 milhões de crianças permanecem afetadas globalmente — quase 8% de todas as crianças do mundo —, incluindo 54 milhões em trabalho perigoso.

Turismo continua impulsionando crescimento e emprego, mas níveis pré-pandemia ainda não foram restaurados

Em 2024, o setor de turismo respondeu por aproximadamente 1 em cada 20 pessoas empregadas no mundo, empregando 173 milhões de pessoas em 134 países — um aumento de 14,3% desde 2015. A contribuição direta do turismo ao PIB global permanece abaixo dos níveis pré-pandemia: 3,5% em 2024, contra 3,7% em 2015 e pico de 3,8% em 2019.

ODS 9
ODS 9

Indústria, Inovação e Infraestrutura

Destaques

  • Globalmente, manufatura e comércio permanecem resilientes, mas disrupções globais criam novos riscos. A manufatura global cresceu 2,7% em 2025 e o comércio marítimo atingiu recorde de 24,1 bilhões de toneladas métricas em 2024.
  • O mundo investe mais em inovação, mas não nos países mais pobres. Os gastos globais em P&D subiram de 1,71% para 1,92% do PIB entre 2015 e 2023.
  • A conectividade digital se expande rapidamente, mas a exclusão digital permanece ampla: em 2025, redes 5G cobriam 55% da população mundial, mas apenas 4% nos países de renda baixa.
  • Ampliar investimentos em infraestrutura resiliente, industrialização sustentável e inovação é essencial para um crescimento industrial inclusivo e sustentável.

Frete marítimo continua fluindo apesar das pressões sobre o comércio global

Em 2024, o comércio marítimo global se aproximou de um recorde histórico, atingindo 24,1 bilhões de toneladas métricas — 16% acima de 2015. Mais de 80% do comércio global de mercadorias é transportado por mar, e disrupções em corredores-chave — Mar Vermelho, Canal do Panamá e Estreito de Ormuz — reformularam redes logísticas e elevaram custos de frete.

Manufatura global navega por uma recuperação constante

A manufatura global recuou 8,9% em 2021 após o choque da pandemia, fortaleceu-se para 3,0% em 2024 e cresceu mais 2,7% em 2025. Entre 2015 e 2025, o valor adicionado da manufatura per capita cresceu 18,1%, de US$ 1.657 (2015) para US$ 1.956 (2025). No entanto, a participação da manufatura no emprego global caiu de 14,3% (2015) para 13,7% (2025).

Emissões globais de CO2 da energia continuam subindo, mesmo com a energia limpa contendo maior crescimento

As emissões globais de CO2 da queima de combustíveis e processos industriais atingiram um recorde de 38,1 gigatoneladas (Gt) em 2025. Desde 2019, a expansão de fotovoltaica solar, eólica, nuclear, veículos elétricos e bombas de calor evitou cerca de 3 Gt de emissões de CO2 em 2025 — equivalente a cerca de 8% das emissões globais de energia.

A inovação global avança, mas lacunas na capacidade de pesquisa persistem

Entre 2015 e 2023, o investimento global em P&D cresceu em média 4,9% ao ano, elevando sua participação no PIB global de 1,71% para 1,92%. A força de trabalho de pesquisa global também se expandiu, com pesquisadores por milhão de habitantes subindo de 1.141 para 1.486. A Europa e América do Norte lideraram, investindo 2,55% do PIB em P&D, enquanto América Latina e Caribe, Ásia Central e Meridional e África Subsaariana continuaram investindo menos de 1% do PIB.

Mais da metade da população mundial já é coberta por 5G, mas a distribuição é desigual

Até 2025, as redes 5G alcançaram 55% da população mundial, enquanto a cobertura 4G chegou a 93% e a 3G a 96%. Enquanto 84% das pessoas em países de renda alta são cobertas por 5G, a cobertura chega a apenas 4% nos países de renda baixa.

ODS 10
ODS 10

Redução das Desigualdades

Destaques

  • Na maioria dos países, a renda dos mais pobres cresceu mais rápido que a média nacional, mas o progresso é desigual. Desde 2015, 6 em cada 10 países reduziram a proporção da população vivendo abaixo de metade da renda mediana.
  • A discriminação permanece disseminada e subestimada. Quase uma em cada cinco pessoas relata ter sofrido discriminação nos últimos 12 meses.
  • O número de refugiados mais que dobrou desde 2015: a proporção da população mundial vivendo como refugiada chegou a 444 por 100 mil pessoas em meados de 2025.
  • Reduzir a desigualdade exige fechar lacunas de renda, proteger o trabalho e ampliar o financiamento para o desenvolvimento.

Na maioria dos países, os 40% mais pobres tiveram crescimento de renda mais rápido que a média, mas o progresso foi mais fraco onde a pobreza é mais profunda

De 112 países com ao menos duas pesquisas comparáveis desde 2015, quase 60% registraram crescimento de renda ou consumo para os 40% mais pobres superior à média nacional. O Leste e Sudeste Asiático teve as maiores melhorias (73% dos países com crescimento inclusivo), enquanto a Ásia Central e Meridional ficou atrás, com 38%.

Seis em cada dez países reduziram a pobreza relativa, mas disparidades regionais persistem

Seis em cada dez países reduziram a proporção de pessoas vivendo com menos da metade da renda mediana desde 2015, com base em uma amostra de 109 países. Uma subamostra de 93 países revela que a proporção vivendo abaixo de metade da renda mediana caiu 1,4 ponto percentual, para 13%, com as maiores reduções no Leste e Sudeste Asiático, Oceania e África Subsaariana.

A participação do trabalho na produção econômica caiu, alimentando a desigualdade

Em 2025, 57,9% da população em idade ativa estava empregada. A participação do trabalho no PIB caiu de 53,0% (2015) para 52,6% (2025) — equivalente a US$ 196 em PPC por trabalhador ao ano. As quedas mais acentuadas ocorreram nos PEIDs (1,9 ponto percentual) e nos países em desenvolvimento sem litoral (1,5 ponto).

Uma em cada cinco pessoas sofre discriminação globalmente, mas lacunas de dados escondem a verdadeira escala

Quase uma em cada cinco pessoas no mundo relata ter sofrido discriminação nos últimos 12 meses, com raça, cor, etnia e status socioeconômico como os motivos mais comuns. Pessoas com deficiência enfrentam o maior fardo, relatando taxas de duas a três vezes maiores que a população em geral.

Embora as mortes de migrantes registradas tenham diminuído em 2025, muitas mortes provavelmente não foram contabilizadas

Ao menos 7.900 pessoas morreram ou desapareceram enquanto migravam em 2025, uma queda em relação ao recorde de 9.197 em 2024. A Ásia foi a região mais mortal, com mais de 3.300 mortes registradas.

Em uma década de conflitos crescentes, o deslocamento de refugiados dobrou

A proporção da população mundial vivendo como refugiada, incluindo pessoas em situações similares às de refugiados, chegou a 444 por 100 mil pessoas em meados de 2025 — mais que o dobro dos 214 por 100 mil de 2015. Até o final de junho de 2025, 36,6 milhões de pessoas eram refugiadas sob o mandato do ACNUR.

O financiamento internacional para o desenvolvimento cresceu, mas a participação da AOD está diminuindo

Em 2024, o total de recursos de desenvolvimento recebidos por países em desenvolvimento alcançou US$ 508 bilhões a preços constantes — 61% acima de 2015. Do total, US$ 256 bilhões vieram de AOD. A participação da AOD no total caiu de 54% (2015) para 50% (2024), à medida que os fluxos privados cresceram de US$ 117 bilhões (2023) para US$ 165 bilhões (2024).

ODS 11
ODS 11

Cidades e Comunidades Sustentáveis

Destaques

  • As favelas continuam crescendo em meio a uma crise habitacional cada vez mais profunda. O número total de moradores de favelas chegou a 1,16 bilhão no mundo (24,8% dos residentes urbanos em 2024).
  • Os serviços urbanos melhoram, mas não acompanham a demanda. O acesso ao transporte público subiu de 53,2% para 61,5% entre 2020 e 2025.
  • As cidades estão ficando mais eficientes, mas os espaços públicos estão encolhendo. Pela primeira vez em 25 anos, o consumo de solo urbano e o crescimento populacional estão quase equiparados.
  • Apoiar o desenvolvimento urbano sustentável exigirá planejamento urbano integrado e orientado por dados que amplie habitação acessível, transporte sustentável e espaços públicos.

Aumento da população em favelas evidencia necessidade urgente de ação habitacional inclusiva

Em 2024, cerca de 1,16 bilhão de residentes urbanos — quase um em cada quatro — vivia em favelas ou assentamentos informais, sem acesso a água segura, saneamento, moradia segura ou espaço vital adequado. Sem ação urgente e coordenada, as projeções atuais sugerem que a população global em favelas pode ultrapassar 1,2 bilhão até 2030.

Acesso a espaços públicos abertos nas cidades está diminuindo

Dados de 414 cidades em 126 países mostram que a proporção de terra urbana destinada a ruas e espaços abertos subiu marginalmente de 16,6% para 17% entre 2020 e 2025 — muito abaixo dos 30% a 45% recomendados. A proporção de residentes com acesso conveniente a espaços abertos dentro de 400 metros caiu de 48,0% para 45,9% no mesmo período.

Transporte público cresce, mas sistemas de baixa capacidade dominam

Dados de 412 cidades em 127 países mostram que a proporção de residentes urbanos com acesso conveniente ao transporte público subiu de 53,2% para 61,5% entre 2020 e 2025. Ônibus representam 78% das opções de transporte público, enquanto sistemas de maior capacidade, como trens e metrôs, respondem por apenas 22%.

Cidades e áreas urbanas se expandem mais lentamente após 2020, acompanhando o declínio das taxas de crescimento populacional

Com base em dados de 2025 de 781 cidades em 123 países, a taxa de consumo de terra urbana caiu de 1,24% para 0,83% entre os períodos 2015–2020 e 2020–2025, enquanto o crescimento populacional caiu de 1,07% para 0,81%.

Depois de uma década de melhoria, o progresso na qualidade do ar global estagnou

O material particulado fino caiu de 34,4 µg/m³ (2010) para 25,4 µg/m³ (2020), antes de estagnar em 26,1 µg/m³ em 2023. A Ásia Subsaariana e o Norte da África e Ásia Ocidental praticamente não mostraram melhoria. Em março de 2025, mais de 100 países se comprometeram com padrões de qualidade do ar mais fortes na Segunda Conferência Global da OMS sobre Poluição do Ar e Saúde.

ODS 12
ODS 12

Consumo e Produção Responsáveis

Destaques

  • Políticas de consumo sustentável avançam, mas o uso de materiais continua crescendo. O uso global de materiais cresceu 25% entre 2015 e 2022.
  • Os fluxos globais de resíduos crescem em ritmo insustentável. O desperdício de alimentos por consumidores ultrapassou 1,05 bilhão de toneladas ao ano; o lixo eletrônico chegou a 65 milhões de toneladas, com menos de um quarto formalmente reciclado.
  • Subsídios a combustíveis fósseis continuam sendo uma barreira estrutural ao consumo sustentável: US$ 921 bilhões em 2024, bem acima dos níveis pré-pandemia.
  • Melhorar os padrões de consumo e produção exigirá sistemas de dados e monitoramento mais fortes, além de apoio internacional direcionado a PEIDs e PMDs.

Consumo global de materiais continua crescendo, com abismo persistente entre países ricos e pobres

Entre 2015 e 2022, o consumo material doméstico (CMD) global cresceu 25%, de 92,1 para 115,1 bilhões de toneladas, com o consumo per capita subindo de 12,3 para 14,4 toneladas. Ainda assim, 80% de todos os materiais globais foram consumidos pela metade da população mundial que vive em países de renda mais alta.

Cooperação internacional fortalece a gestão segura de produtos químicos e resíduos

Sob as Convenções da Basileia, Roterdã e Estocolmo, as pontuações de conformidade subiram entre a linha de base de 2014 e o período de reporte de 2020–2024: de 63% para 73% na Convenção da Basileia, de 70% para 79% na de Roterdã, e de 53% para 56% na de Estocolmo. A Convenção de Minamata sobre Mercúrio completou seu segundo ciclo completo de relatórios nacionais em 2026, com 115 das 151 Partes exigidas submetendo relatórios (76%).

Mais países adotam ferramentas para monitorar o turismo sustentável, mas lacunas permanecem

Entre 2015 e 2024, 56% dos países compilaram ao menos uma das duas ferramentas internacionalmente acordadas para acompanhar a sustentabilidade do turismo. O número de países aplicando essas ferramentas cresceu 77% entre os ciclos de relatório de 2024 e 2025 — de 30 para 53 países.

Governos e empresas implementam marcos de sustentabilidade — agora é preciso agir sobre eles

Em 2025, 609 políticas relacionadas a consumo e produção sustentáveis (CPS) foram submetidas em 75 países — um aumento de 16% em relação ao período 2019–2024. Mais governos também colocaram esses padrões em prática por meio de compras públicas sustentáveis, com 54 países alcançando pontuações de conformidade em 2025, ante 49 em 2022. Desde 2015, o número de empresas emitindo relatórios de sustentabilidade corporativa mais que quadruplicou.

Subsídios a combustíveis fósseis caem, mas permanecem bem acima dos níveis pré-pandemia

Os subsídios globais a combustíveis fósseis caíram 10% entre 2023 e 2024, de US$ 1,03 trilhão para mais de US$ 921 bilhões — a segunda queda consecutiva desde o pico de 2022 (US$ 1,66 trilhão) —, mas o valor ainda está bem acima do mínimo pré-pandemia de US$ 402 bilhões registrado em 2020.

Lixo eletrônico dispara enquanto o progresso na redução de perdas e desperdício de alimentos estagna

O lixo eletrônico global chegou a 65 milhões de toneladas em 2023 (8,1 kg per capita), sendo um dos fluxos de resíduos que mais cresce no mundo — apenas 15,5 milhões de toneladas foram formalmente reciclados. Estima-se que 13,3% dos alimentos produzidos globalmente foram perdidos após a colheita em 2023. Em 2022, 1,05 bilhão de toneladas de alimentos foram desperdiçadas em varejo, serviços de alimentação e domicílios — 19% de todo o alimento disponível no mundo. Juntas, a perda e o desperdício de alimentos respondem por até 10% das emissões globais de gases de efeito estufa e quase US$ 1 trilhão em perdas econômicas anuais.

ODS 13
ODS 13

Ação Contra a Mudança Global do Clima

Destaques

  • Os riscos climáticos estão aumentando, e a janela para ação está se estreitando. O período de 11 anos entre 2015 e 2025 foi o mais quente já registrado.
  • Investimentos em redução de risco de desastres e resiliência climática estão gerando resultados, mas a vulnerabilidade continua crescendo. A mortalidade relacionada a desastres caiu quase 65% na última década, mas o número de pessoas afetadas por desastres mais que dobrou.
  • Fechar a lacuna climática exige mais que compromissos — exige financiamento. O financiamento climático superou a meta de US$ 100 bilhões pelo terceiro ano consecutivo.
  • Mitigação mais forte, adaptação ampliada, investimento sustentado e vontade política inabalável são essenciais para proteger os ganhos de desenvolvimento e apoiar os mais vulneráveis à mudança do clima.

Tendências atuais apontam para um futuro mais quente e perigoso

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), 2024 foi o ano mais quente já registrado, encerrando 11 anos consecutivos de recordes, com temperaturas globais atingindo 1,55°C acima dos níveis pré-industriais — ultrapassando o limiar de 1,5°C pela primeira vez. Em 2025, apesar do efeito temporário de resfriamento do La Niña, a temperatura ainda ficou entre a segunda e a terceira mais quente já registrada, em cerca de 1,43°C acima dos níveis pré-industriais. As emissões globais de gases de efeito estufa atingiram um recorde de 57,7 gigatoneladas de CO2 equivalente em 2024, 2,3% acima de 2023. Mesmo que todos os países cumpram integralmente suas promessas climáticas atuais, o aquecimento deve atingir 2,3°C a 2,5°C neste século; sob as políticas existentes, essa cifra sobe para 2,8°C.

Aquecimento climático alimenta o nono ano seguido de calor oceânico recorde

O oceano absorve cerca de 91% do excesso de calor acumulado na atmosfera terrestre. Em 2025, segundo a OMM, o conteúdo de calor oceânico atingiu o nível mais alto já registrado pelo nono ano consecutivo. O quarto evento global de branqueamento de corais, que afetou 84% dos recifes em 83 países e territórios, provavelmente se encerrou em meados de 2025.

Perdas persistentes por desastres sinalizam necessidade urgente de investimentos informados por risco

Entre 2015 e 2024, as perdas econômicas diretas por desastres somaram, em média, mais de US$ 110 bilhões por ano — equivalente a 0,28% do PIB dos países que reportam. Quando efeitos em cascata e danos a ecossistemas são incluídos, as perdas por desastres superam US$ 2,3 trilhões ao ano. Os PMDs responderam por quase 13% das perdas globais reportadas, representando apenas 1,36% do PIB total — um impacto mais de dez vezes desproporcional.

Financiamento climático ultrapassa US$ 100 bilhões pelo terceiro ano consecutivo

Essa meta foi cumprida pelo terceiro ano consecutivo, atingindo US$ 132,8 bilhões em 2023 e US$ 136,7 bilhões em 2024, após ultrapassar o limiar pela primeira vez em 2022 (US$ 115,9 bilhões), segundo a OCDE. Quase dois terços foram destinados à mitigação. O novo objetivo coletivo quantificado de financiamento climático, acordado na 29ª Conferência das Partes, prevê ao menos US$ 1,3 trilhão anuais de todas as fontes até 2035, com países desenvolvidos comprometendo ao menos US$ 300 bilhões por ano.

Vidas estão sendo salvas, mas a exposição crescente eleva o impacto dos desastres

Em 2015, apenas 56 países tinham estratégias nacionais de redução de risco de desastres; até 2024, esse número quase triplicou para 141 países. Entre 2015 e 2024, a mortalidade relacionada a desastres caiu quase 65% em comparação com os 10 anos anteriores, de 2,11 para 0,75 óbitos por 100 mil habitantes. Ainda assim, a taxa de pessoas afetadas por desastres mais que dobrou no mesmo período, de 1.199 para 2.445 por 100 mil habitantes.

Danos a infraestrutura crítica e interrupções de serviços por desastres seguem generalizados

Entre 2015 e 2024, uma média de 91.847 unidades de infraestrutura crítica foram destruídas ou danificadas todos os anos, com mais de 1,5 milhão de interrupções anuais em serviços básicos, incluindo saúde e educação.

ODS 14
ODS 14

Vida na Água

Destaques

  • Avanços históricos na governança oceânica fortalecem a base para a recuperação de longo prazo dos oceanos, mesmo com os ecossistemas marinhos sob pressão crescente. A entrada em vigor do Acordo BBNJ e do Acordo da OMC sobre Subsídios à Pesca, junto à proteção oceânica superando 10% de cobertura, marcam grandes marcos.
  • A gestão responsável da pesca mostra resultados, com estoques pesqueiros se estabilizando. O declínio global de estoques pesqueiros sustentáveis desacelerou de forma acentuada desde 2015.
  • Transformar as recentes conquistas em políticas de conservação oceânica em recuperação mensurável exigirá implementação dedicada, investimento e participação universal.

Acordos históricos e conquistas de conservação sinalizam um ponto de virada para a saúde dos oceanos

Após quase duas décadas de negociações, o histórico Acordo sobre Biodiversidade Marinha em Áreas Além da Jurisdição Nacional (Acordo BBNJ) entrou em vigor em 17 de janeiro de 2026 — apenas dois anos e meio após sua adoção. O Acordo cobre dois terços do oceano fora dos limites nacionais e é o primeiro tratado oceânico juridicamente vinculante a prever o engajamento de Povos Indígenas e comunidades locais. Até 1º de junho de 2026, 89 países haviam se tornado partes do Acordo.

Em abril de 2026, 10,01% do oceano foi oficialmente designado como protegido ou conservado — seis anos após o prazo de 2020. O Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal exige que os países protejam 30% do oceano até 2030, o que significa que a cobertura precisa triplicar em quatro anos. Desde 2024, cerca de 5 milhões de km² de oceano foram recém-protegidos, incluindo Tainui Atea, na Polinésia Francesa, atualmente a maior área marinha protegida do mundo.

O Acordo da OMC sobre Subsídios à Pesca — um dos primeiros acordos da OMC com sustentabilidade ambiental em seu núcleo — está em vigor desde 15 de setembro de 2025, proibindo subsídios ligados à pesca ilegal, não reportada e não regulamentada (INN). Até agora, 120 membros aceitaram o Acordo. Subsídios prejudiciais custam aos contribuintes US$ 22 bilhões anualmente.

Conforme o monitoramento oceânico se expande, o quadro da acidificação se torna mais evidente

O oceano absorve cerca de 29% das emissões antropogênicas globais de CO2. Nos últimos 40 anos, o pH médio da superfície oceânica caiu de 8,11 para 8,04, segundo a OMM. O monitoramento se expandiu rapidamente, com estações passando de 178 (2021) para 906 (2026) em 45 países reportantes, embora apenas 13 países submetam séries de dados com mais de uma década.

Gestão baseada em ciência apoia a sustentabilidade da pesca, mas lacunas regionais persistem

A avaliação global mais recente (2021) mostra que 35,5% dos estoques avaliados estavam sobrepescados, enquanto apenas 64,5% estavam em níveis biologicamente sustentáveis. O declínio de estoques pesqueiros sustentáveis desacelerou de forma acentuada desde 2015, caindo cerca de dois pontos percentuais nos últimos seis anos.

Participação da pesca sustentável no PIB cai pelo terceiro ano consecutivo

A pesca sustentável como proporção do PIB global caiu pelo terceiro período de relatório consecutivo desde 2019, chegando a 0,08% em 2023 — uma queda adicional de 7% desde 2021 —, mesmo com pesca e aquicultura gerando um valor combinado de US$ 175 bilhões. Nos PEIDs, a participação caiu de 0,57% para 0,52% entre 2021 e 2023 (ainda seis vezes a média global). A África Subsaariana foi a exceção, com crescimento de 0,39% (2021) para 0,43% (2023).

ODS 15
ODS 15

Vida Terrestre

Destaques

  • A governança da biodiversidade se expande, mesmo com a perda de espécies continuando. Catalisados pelo Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, 155 países estabeleceram metas nacionais de biodiversidade até 2025.
  • A perda de florestas desacelerou, mas persiste. Mais da metade das florestas já está sob planos de manejo, mas 41 milhões de hectares foram perdidos desde 2015.
  • A proteção de Áreas-Chave para a Biodiversidade (KBAs) cresceu, mas muitos sítios permanecem não identificados.
  • Fechar as lacunas na proteção da biodiversidade, na conservação florestal e na preservação de espécies exigirá governança mais forte, investimento sustentado e implementação acelerada.

Países passam de acordos para ações concretas na proteção da biodiversidade

Até o final de 2025, 142 países e a União Europeia ratificaram o Protocolo de Nagoya — mais que o dobro dos 70 de 2015. Além disso, 154 países estão cobertos pelo Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura, e projetos financiados pelo Fundo de Repartição de Benefícios do Tratado já ajudaram mais de 1 milhão de pequenos agricultores em 78 países em desenvolvimento. Os impactos econômicos de espécies invasoras quadruplicaram a cada década desde 1970, chegando a pelo menos US$ 423 bilhões em 2019. Até 2025, 155 países estabeleceram metas nacionais de biodiversidade vinculadas ao planejamento de desenvolvimento, e 98 países implementam o Sistema de Contabilidade Ambiental e Econômica (SEEA) — um aumento de 42% desde 2017.

Manejo florestal sustentável avança, mas a perda de florestas continua significativa no mundo

Nos últimos 35 anos, as florestas globais encolheram 203,1 milhões de hectares, incluindo uma perda de 41 milhões de hectares desde 2015 — uma queda de 33,3% da superfície terrestre da Terra em 1990 para 31,8% hoje. O desmatamento caiu de 17,6 milhões de hectares por ano (1990–2000) para 10,9 milhões de hectares por ano (2015–2025). Um quinto (20%) das florestas do mundo está em áreas protegidas legalmente estabelecidas, e mais da metade (55%) está sob planos de manejo de longo prazo. América Latina e Caribe, África Subsaariana e Sudeste Asiático perderam, cada um, mais de 14% de suas florestas desde 1990.

Corais são o grupo de espécies que mais se deteriora rapidamente

Mais de 48.600 espécies estão ameaçadas de extinção. O Índice da Lista Vermelha caiu de 0,80 (1993) para abaixo de 0,75 (2025). Um terço dos corais construtores de recifes de água quente estava sob alto risco de extinção em 2008, subindo para 44% em 2025. Quase 1 bilhão de pessoas dependem dos recifes para pesca, turismo, proteção costeira e valores culturais.

Proteção das áreas-chave de biodiversidade da Terra permanece incompleta e desigual

Dos mais de 16.600 sítios identificados como Áreas-Chave para Biodiversidade (KBAs), cerca de dois terços estão ao menos parcialmente dentro de áreas protegidas e conservadas, com cobertura protegida média de 45% em 2025, ante 25% em 2000. O progresso, no entanto, estagnou desde 2015, variando de mais de 60% na Europa e América do Norte a menos de 25% em partes da Oceania.

ODS 16
ODS 16

Paz, Justiça e Instituições Eficazes

Destaques

  • A violência está diminuindo, mas o progresso permanece desigual e lento demais. A taxa global de homicídios caiu 14% entre 2015 e 2024, e as mortes de civis em conflitos documentadas caíram 23% em 2025.
  • Justiça e direitos humanos se expandem no papel, mas não na prática. Leis de acesso à informação se espalham, mas a conformidade permanece inconsistente.
  • A governança inclusiva permanece fora de alcance. Mulheres e jovens continuam sub-representados em parlamentos, no serviço público e no judiciário.
  • Construir sociedades pacíficas, justas e inclusivas exigirá Estado de Direito mais forte, melhores proteções para defensores de direitos humanos, ação séria contra a corrupção e instituições mais representativas.

Menos vidas perdidas por homicídio, mas o mundo permanece fora da rota para acabar com a violência

A taxa global de homicídio intencional caiu de 5,9 por 100 mil habitantes (2015) para 5,1 (2024). América Latina e Caribe registraram a maior taxa em 2024 (19,3 por 100 mil), seguida pela África Subsaariana (11,7). Na trajetória atual, a taxa global de homicídios em 2030 será cerca de um quarto menor que em 2015 — ficando aquém da meta dos ODS de redução de ao menos 50%.

Mortes de civis em conflito caem de recordes históricos, mas crises regionais e vulnerabilidade persistem

Após um número recorde de mortes de civis em 2024, as mortes relacionadas a conflitos caíram 23% em 2025, de 48.011 para 37.163. Entre os mortos, um em cada cinco era criança e um em cada quatro era mulher, com Gaza respondendo sozinha por 70% de todas as mortes infantis e 60% das mortes femininas registradas em conflitos globalmente. O deslocamento forçado por conflitos de alta intensidade chegou a 117 milhões de pessoas em junho de 2025.

Riscos crescentes para defensores de direitos: uma pessoa morta ou desaparecida a cada 10 horas

Entre 2015 e 2024, pelo menos 5.307 defensores de direitos humanos, jornalistas e sindicalistas foram mortos — uma pessoa morta ou desaparecida a cada 10 horas em 2024. Para 2025, projetam-se 740 assassinatos e 190 desaparecimentos. A América Latina e o Caribe seguem sendo a região mais mortal, respondendo por cerca de 60% de todos os assassinatos desde 2015.

Suborno permanece disseminado, com o maior fardo em países e regiões de menor renda

Em 139 países com dados recentes, cerca de 17% das pessoas relataram ter pago ou sido solicitadas a pagar suborno a um funcionário público no último ano. Em países de renda alta, essa cifra foi de 9%, contra 27% em países de renda baixa. África Subsaariana e Ásia Central e Meridional registraram as maiores taxas medianas (24% e 22,5%, respectivamente).

Mulheres e jovens continuam sub-representados nos parlamentos e instituições públicas

Embora 64% da população mundial tenha 40 anos ou menos e metade seja feminina, em 2025, 77% dos presidentes de parlamento e 63% dos presidentes de comissões eram homens acima dos 40 anos. A participação de parlamentares com 30 anos ou menos (2,8%) e 40 anos ou menos (19%) permaneceu inalterada desde 2023 — bem abaixo das metas da União Interparlamentar (15% e 35%, respectivamente).

141 países garantem acesso à informação, mas a implementação está atrasada

Até 2026, 141 países adotaram leis de acesso à informação. A pontuação média de implementação está em 6,12 de 9, e 101 países têm instituição de fiscalização dedicada. Um teste de estresse global em 76 países constatou que 38% das solicitações não receberam resposta substantiva, e apenas 42% resultaram em divulgação completa.

Uma década de progresso em instituições de direitos humanos estagnou em 2025

O número de países com instituições nacionais de direitos humanos independentes e totalmente em conformidade com os Princípios de Paris cresceu de 70 (2015) para 89 (2025). Ainda assim, o progresso perdeu força, com o número de instituições em conformidade estagnando em 2025. Os PEIDs permanecem significativamente sub-representados, com apenas 11% dos países totalmente em conformidade.

ODS 17
ODS 17

Parcerias e Meios de Implementação

Destaques

  • O financiamento para o desenvolvimento está sendo reformulado à medida que a ajuda oficial recua. A AOD caiu recorde de 23,1% em 2025, retornando aos níveis de 2015.
  • As pressões de dívida permanecem severas, e o investimento estrangeiro está contornando os países que mais precisam dele. A dívida externa atingiu um recorde de US$ 8,9 trilhões.
  • Comércio e conectividade digital continuam se expandindo, mas não nos países mais vulneráveis do mundo. As economias em desenvolvimento respondem por quase metade das exportações globais de mercadorias, mas os PMDs detêm menos de 2%.
  • Revitalizar a parceria global necessária para cumprir as metas de 2030 exigirá reverter a queda na ajuda, enfrentar vulnerabilidades de dívida, mobilizar investimento e fechar lacunas digitais.

Queda recorde na ajuda oficial evidencia a necessidade de diversificar o financiamento para o desenvolvimento

Em 2025, a AOD reportada pelo Comitê de Assistência ao Desenvolvimento (CAD) caiu para US$ 174,3 bilhões — apenas 0,26% da renda nacional bruta combinada dos contribuintes. A queda de 23,1% em relação a 2024 é a maior já registrada, devolvendo a AOD aos níveis de 2015. Vinte e seis dos 34 membros do CAD cortaram sua ajuda, mas cinco doadores responderam por 95,7% da queda: França, Alemanha, Japão, Reino Unido e Estados Unidos. Os Estados Unidos, sozinhos, foram responsáveis por três quartos da queda, cortando sua AOD em 56,9% — a maior redução por um único doador já registrada.

Os recursos privados contornaram os países que mais precisam deles: o investimento estrangeiro direto global cresceu 14% em 2025, para cerca de US$ 1,6 trilhão, mas as economias desenvolvidas captaram quase metade desse total. Os fluxos para economias em desenvolvimento caíram 2%, para cerca de US$ 877 bilhões, e três quartos dos PMDs viram entradas estagnadas ou em declínio. As remessas de trabalhadores tiveram perspectiva mais positiva, subindo quase 10%, para US$ 687 bilhões, com a Índia como maior receptora mundial.

Economias em desenvolvimento ganham espaço no comércio global, mas os PMDs ficam muito atrás

A participação das economias em desenvolvimento nas exportações mundiais de mercadorias chegou a 48,3% em 2024, alta de 2,9 pontos desde 2015. Para os PMDs, a participação nas exportações mundiais de mercadorias subiu de apenas 0,91% (2015) para 1,13% (2024) — a meta dos ODS de dobrar a participação dos PMDs no comércio global até 2020 ainda não foi cumprida.

Quase três quartos do mundo está on-line, mas a conectividade universal permanece distante

Em 2025, quase três quartos da população mundial estava on-line, ante 71% em 2024 e 40% em 2015. Apenas 34% das pessoas nos PMDs e 38% nos países em desenvolvimento sem litoral estavam on-line em 2025. Há também uma significativa disparidade de gênero: 77% dos homens estavam on-line, contra 71% das mulheres — 280 milhões a mais de homens conectados do que mulheres.

Sistemas estatísticos se fortalecem, mas incertezas de financiamento ameaçam o progresso

Entre 2022 e 2024, a pontuação média de cobertura do inventário de dados abertos ultrapassou 50 de 100 pela primeira vez. Entre 2015 e 2024, 87% dos países realizaram ao menos um censo. Até 2025, 163 países tinham legislação estatística alinhada aos Princípios Fundamentais das Estatísticas Oficiais, e 135 implementavam planos estatísticos nacionais — mas apenas 80 estavam totalmente financiados, ante 95 no ano anterior.

Dívida recorde e apoio estagnado ao investimento continuam desafiando as economias em desenvolvimento

A dívida externa dos países de renda baixa e média atingiu um recorde de US$ 8,9 trilhões, alta de 1,1% em relação a 2023. Os pagamentos de juros subiram 2,2%, para US$ 415,4 bilhões, e pelo terceiro ano consecutivo os países pagaram mais em serviço da dívida do que receberam em novos financiamentos. Em 2025, apenas 54 países tinham mecanismos formais para promover o investimento estrangeiro direto de saída.

Progresso dos ODS por Meta

O relatório original apresenta um grande painel visual com a avaliação de progresso de cada uma das 169 metas dos ODS, classificadas em cinco categorias de status (ver legenda abaixo). A avaliação agregada mostra que, das 139 metas com dados de tendência suficientes, 15% estão no caminho certo ou já atingiram a meta, 21% mostram progresso moderado, 32% mostram progresso apenas marginal, 17% estão estagnadas e 15% regrediram em relação à linha de base de 2015. A representação gráfica detalhada, meta a meta, é de natureza essencialmente visual (códigos de cores por meta) e está disponível no documento técnico original em unstats.un.org/sdgs/report/2026. Abaixo, reproduzimos a lista completa das metas avaliadas, organizadas por Objetivo, para referência.

No caminho certo / meta cumprida Progresso moderado Progresso marginal Estagnação Regressão Dados insuficientes

ODS 1 – Erradicação da Pobreza

1.1 Pobreza internacional
1.2 Pobreza nacional
1.3 Proteção social
1.4 Acesso a serviços básicos
1.5 Resiliência a desastres
1.a Gastos governamentais em serviços essenciais
1.b Políticas de erradicação da pobreza

ODS 2 – Fome Zero

2.1 Subnutrição e segurança alimentar
2.2 Desnutrição
2.3 Pequenos produtores de alimentos
2.4 Agricultura produtiva e sustentável
2.5 Recursos genéticos para agricultura
2.a Investimento em agricultura
2.b Subsídios à exportação agrícola
2.c Anomalias de preços de alimentos

ODS 3 – Saúde e Bem-Estar

3.1 Mortalidade materna
3.2 Mortalidade infantil
3.3 Doenças transmissíveis
3.4 Doenças não transmissíveis e saúde mental
3.5 Abuso de substâncias e tratamento
3.6 Acidentes de trânsito
3.7 Saúde sexual e reprodutiva
3.8 Cobertura universal de saúde
3.9 Impacto da poluição na saúde
3.a Controle do tabaco
3.b Cobertura de imunização
3.c Força de trabalho em saúde
3.d Gestão de riscos à saúde

ODS 4 – Educação de Qualidade

4.1 Resultados de aprendizagem efetivos
4.2 Educação infantil
4.3 Educação técnica, profissional e superior
4.4 Habilidades para emprego
4.5 Acesso igualitário à educação
4.6 Alfabetização e numeramento de adultos
4.7 Educação para desenvolvimento sustentável
4.a Instalações educacionais
4.b AOD para bolsas de estudo
4.c Professores qualificados

ODS 5 – Igualdade de Gênero

5.1 Marcos legais sobre igualdade de gênero
5.2 Violência contra mulheres e meninas
5.3 Casamento infantil
5.4 Trabalho de cuidado não remunerado
5.5 Mulheres na liderança
5.6 Acesso e direitos à saúde reprodutiva
5.a Direitos econômicos iguais para mulheres
5.b Tecnologia para empoderamento das mulheres
5.c Orçamento sensível a gênero

ODS 6 – Água Potável e Saneamento

6.1 Água potável segura
6.2 Acesso a saneamento e higiene
6.3 Qualidade da água
6.4 Eficiência no uso da água
6.5 Cooperação em águas transfronteiriças
6.6 Ecossistemas relacionados à água
6.a Cooperação internacional em água e saneamento
6.b Gestão participativa de água e saneamento

ODS 7 – Energia Acessível e Limpa

7.1 Acesso a serviços de energia
7.2 Participação de energia renovável
7.3 Eficiência energética
7.a Cooperação internacional em energia
7.b Investimento em infraestrutura de energia

ODS 8 – Trabalho Decente e Crescimento Econômico

8.1 Crescimento econômico
8.2 Produtividade econômica
8.3 Formalização de PMEs
8.4 Eficiência de recursos materiais
8.5 Emprego pleno e trabalho decente
8.6 Jovens NEET
8.7 Trabalho infantil e forçado
8.8 Direitos trabalhistas e ambiente de trabalho seguro
8.9 Turismo sustentável
8.10 Acesso a serviços financeiros
8.a Ajuda para o comércio
8.b Estratégia para emprego juvenil

ODS 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura

9.1 Desenvolvimento de infraestrutura
9.2 Industrialização sustentável e inclusiva
9.3 Acesso a financiamento para pequenas indústrias
9.4 Indústrias sustentáveis e limpas
9.5 Pesquisa e desenvolvimento
9.a AOD para infraestrutura
9.b Desenvolvimento de tecnologia doméstica
9.c Acesso a TIC e internet

ODS 10 – Redução das Desigualdades

10.1 Crescimento de renda dos 40% mais pobres
10.2 Distribuição de renda
10.3 Eliminar discriminação
10.4 Políticas fiscais e de proteção social
10.5 Regulação dos mercados financeiros
10.6 Governança global inclusiva
10.7 Migração e mobilidade seguras
10.a Tratamento especial e diferenciado (OMC)
10.b Fluxos de recursos para o desenvolvimento
10.c Custos de remessas

ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis

11.1 Habitação e serviços básicos
11.2 Sistemas de transporte público
11.3 Urbanização sustentável
11.4 Patrimônio cultural e natural
11.5 Perdas humanas e econômicas por desastres
11.6 Qualidade do ar urbano e gestão de resíduos
11.7 Espaços verdes e públicos urbanos
11.a Políticas de planejamento urbano
11.b Políticas de gestão de risco de desastres
11.c Edificações sustentáveis e resilientes

ODS 12 – Consumo e Produção Responsáveis

12.1 Programas de consumo e produção sustentáveis
12.2 Uso sustentável de recursos naturais
12.3 Desperdício e perdas de alimentos
12.4 Gestão de produtos químicos e resíduos
12.5 Redução na geração de resíduos
12.6 Práticas corporativas sustentáveis
12.7 Práticas de compras públicas
12.8 Conscientização sobre desenvolvimento sustentável
12.a Apoio à capacidade de P&D para desenvolvimento sustentável
12.b Monitoramento do turismo sustentável
12.c Subsídios a combustíveis fósseis

ODS 13 – Ação Contra a Mudança Global do Clima

13.1 Resiliência e capacidade adaptativa
13.2 Políticas de mudança do clima
13.3 Conscientização sobre mudança do clima
13.a Compromissos da UNFCCC
13.b Planejamento e gestão da mudança do clima

ODS 14 – Vida na Água

14.1 Poluição marinha
14.2 Ecossistemas marinhos e costeiros
14.3 Acidificação dos oceanos
14.4 Pesca sustentável
14.5 Conservação de áreas costeiras e marinhas
14.6 Combate à pesca ilegal, não reportada e não regulamentada
14.7 Recursos marinhos para PEIDs e PMDs
14.a Capacidade de pesquisa e tecnologia marinha
14.b Pesca artesanal de pequena escala
14.c Implementação da UNCLOS

ODS 15 – Vida Terrestre

15.1 Ecossistemas terrestres e de água doce
15.2 Manejo sustentável de florestas
15.3 Desertificação e degradação do solo
15.4 Conservação de ecossistemas montanhosos
15.5 Perda de biodiversidade
15.6 Utilização de recursos genéticos
15.7 Tráfico de espécies protegidas
15.8 Espécies exóticas invasoras
15.9 Biodiversidade no planejamento nacional e local
15.a Recursos para biodiversidade e ecossistemas
15.b Recursos para manejo florestal
15.c Tráfico de espécies protegidas (global)

ODS 16 – Paz, Justiça e Instituições Eficazes

16.1 Redução da violência e mortes relacionadas
16.2 Tráfico de pessoas
16.3 Justiça para todos
16.4 Fluxos financeiros e de armas ilícitos
16.5 Corrupção e suborno
16.6 Instituições eficazes
16.7 Tomada de decisão inclusiva
16.8 Governança global inclusiva
16.9 Identidade legal
16.10 Acesso público à informação
16.a Instituições nacionais de direitos humanos
16.b Leis não discriminatórias

ODS 17 – Parcerias e Meios de Implementação

17.1 Arrecadação de impostos e outras receitas
17.2 Compromisso de AOD dos países desenvolvidos
17.3 Recursos financeiros adicionais para o desenvolvimento
17.4 Sustentabilidade da dívida
17.5 Promoção de investimento para os PMDs
17.6 Acesso à tecnologia
17.7 Transferência de tecnologias
17.8 Uso da internet
17.9 Capacitação para os ODS
17.10 Sistema multilateral de comércio (OMC)
17.11 Exportações dos países em desenvolvimento
17.12 Acesso livre de tarifas para os PMDs
17.13 Estabilidade macroeconômica global
17.14 Coerência de políticas para o desenvolvimento sustentável
17.15 Respeito ao espaço de política dos países
17.16 Parceria global para o desenvolvimento sustentável
17.17 Parcerias (público, privado, sociedade civil)
17.18 Disponibilidade de estatísticas nacionais
17.19 Capacidade estatística

Lista de siglas

CSO: Organização da sociedade civil
TIC: Tecnologias da informação e comunicação
DNT: Doença não transmissível
NEET: Não está empregado, nem estudando, nem em treinamento
AOD: Assistência oficial ao desenvolvimento
P&D: Pesquisa e desenvolvimento
PME: Pequena e média empresa
TVET: Educação técnica e profissionalizante
UNCLOS: Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar
UNFCCC: Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima
OMC: Organização Mundial do Comércio

Para mais detalhes, consulte o Gráfico de Progresso dos ODS 2026 e a nota técnica em: unstats.un.org/sdgs/report/2026.

Nota ao Leitor

Agrupamentos regionais

Este relatório apresenta dados sobre o progresso rumo aos ODS no mundo e por diversos grupos. Os agrupamentos de países baseiam-se nas regiões geográficas definidas nos Códigos-Padrão de Países ou Áreas para Uso Estatístico (M49) da Divisão de Estatística das Nações Unidas. O uso de regiões geográficas como base para o agrupamento de países é uma mudança importante em relação ao Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2016 e aos relatórios de progresso dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que utilizavam as categorias "desenvolvidos" e "em desenvolvimento". Embora não exista uma convenção estabelecida para essas designações no sistema das Nações Unidas, alguns indicadores deste relatório ainda apresentam dados para regiões e países desenvolvidos e em desenvolvimento apenas para fins de análise estatística. O texto e as figuras apresentam, na medida do possível, dados para países menos desenvolvidos, países em desenvolvimento sem litoral e pequenos Estados insulares em desenvolvimento — grupos de países que exigem atenção especial.

O termo "país" usado neste relatório também se refere, conforme apropriado, a territórios e áreas. As designações empregadas e a apresentação do material neste relatório não implicam a expressão de qualquer opinião por parte do Secretariado das Nações Unidas sobre o status legal de qualquer país, território, cidade ou área, ou de suas autoridades, nem sobre a delimitação de suas fronteiras.

Marco de indicadores globais para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

As informações apresentadas neste relatório baseiam-se nos dados mais recentes disponíveis (a partir de junho de 2026) sobre indicadores selecionados do marco de indicadores globais para os ODS. Esse marco é usado para revisar o progresso em nível global e foi desenvolvido pelo Grupo Interagências e de Especialistas em Indicadores dos ODS (IAEG-SDGs), adotado pela Assembleia Geral em 6 de julho de 2017 (resolução 71/313, anexo). A escolha dos indicadores utilizados no relatório não representa uma priorização de metas, já que todos os Objetivos e metas têm igual importância. O "Relatório Estendido dos ODS 2026", disponível on-line, inclui análises adicionais, referências completas e histórias expandidas das agências responsáveis que não puderam ser incluídas neste relatório por limitações de espaço.

Fontes de dados

Os valores da maioria dos indicadores apresentados no relatório são agregados regionais e/ou sub-regionais — em geral, médias ponderadas, usando a população de referência como peso, de dados nacionais produzidos pelos sistemas estatísticos nacionais e calculados por agências internacionais com mandatos especializados. Os dados nacionais frequentemente são ajustados para fins de comparabilidade e, quando ausentes, são estimados, em consulta plena com as autoridades estatísticas nacionais.

Embora os números agregados apresentados aqui sejam uma forma conveniente de acompanhar o progresso, a situação de países individuais dentro de uma determinada região — e entre grupos populacionais e áreas geográficas dentro de um país — pode variar significativamente das médias regionais. A apresentação de números agregados para todas as regiões também obscurece outra realidade: a falta, em muitas partes do mundo, de dados adequados para avaliar tendências nacionais e informar e monitorar a implementação de políticas de desenvolvimento.

Uma base de dados de dados globais, regionais e nacionais disponíveis, bem como metadados para os indicadores dos ODS, é mantida pela Divisão de Estatística das Nações Unidas em unstats.un.org/sdgs. Devido ao surgimento de novos dados e metodologias revisadas, as séries de dados apresentadas neste relatório podem não ser comparáveis a séries de dados anteriores.

Notas: Oceania* refere-se à Oceania excluindo Austrália e Nova Zelândia em toda a publicação. Os limites e nomes exibidos e as designações utilizadas nos mapas desta publicação não implicam endosso ou aceitação oficial por parte das Nações Unidas.